quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Periferias em Cena

Meus amigos e leitores queridos, após um longo e tenebroso inverno, nem tão longo e nem tão tenebroso assim, cá estou de volta, recuperando-me de revoluções físicas, emocionais, astrais e marítimas, e de quaisquer outras naturezas de influências visíveis ou invisíveis, que me afastaram por umas semaninhas da deliciosa tarefa de botar a boca no mundo. Pois é, fiquei com saudades! E antes de fazer o próximo convite, quero agradecer, com o coração saltando de alegria, a todas as pessoas que compareceram e prestigiaram a última temporada do Filhos do Brasil! Muito obrigada a quem foi, a quem gargalhou, a quem chorou, a quem me abraçou no final dizendo que valeu a pena, a quem viajou distâncias para comparecer, a quem ajudou na divulgação, a quem levou um amigo, um irmão, um pai; foi por cada um de vocês que lotamos aquele teatro! E em breve tem mais; já voltamos a nos reunir todo domingo no Dias Gomes para preparar o próximo espetáculo! Aguardem...


E vocês que estão no Rio de Janeiro e proximidades poderão me ver, e me ouvir cantar, ao lado do meu amigo violonista Júlio Ribeiro, já conhecido aqui no Boca, no sábado, dia 27 de Agosto, no festival Periferias em Cena. Serão 10 horas seguidas de arte e diversidade! Um evento do jeitinho que a gente gosta: com acessibilidade para pessoas com deficiência, entrada franca, oportunidade para todos e cultura para todo gosto! Eu e Julinho comandaremos o sarau do meio dia com muita música boa. Confiram os detalhes abaixo e dêem só uma olhada na programação: esquetes, roda de funk, rap, sarau, cromoterapia, dança, futebol, exposição, DJ


Release:


O Festival Periferias em cena é resultado do curso de formação de agentes culturais populares, realizado no IFRJ, de abril a agosto de 2011, organizado e produzido pelos próprios alunos, para apresentar as manifestações culturais que fazem parte de seu cotidiano, como trabalho de conclusão do curso.


O Festival irá acontecer no dia 27 de agosto de 2011 (sábado), de 9 às 19h, no Campus Maracanã, do IFRJ; com o diferencial de utilizar recursos de acessibilidade, tais como intérpretes de LIBRAS e material em Braile, para pessoas com deficiência. Além disso, haverá apresentações de música, dança, futebol, realizados por artistas com deficiência.


A intenção do curso é estimular as iniciativas artísticas e culturais, permitindo que os alunos possam se beneficiar de editais de fomento (públicos ou privados), bem como desenvolver atividades auto-sustentáveis. Outro objetivo é desenvolver redes culturais nas favelas e periferias, atuando em prol de uma cultura de paz com liberdade de expressão, respeitando à diversidade étnica, de gênero, religiosa etc.


Estando em sua 4a turma, o curso de agentes culturais populares foi desenvolvido pelo Observatório da Indústria Cultural (OICULT-UFF), e agora no IFRJ o curso segue afirmando uma política pública de diversidade, democratização e descentralização da produção de bens culturais.


QUEM ESTÁ EM CENA?


Jovens e adultos comprometidos e atuantes com a difusão e propagação da cultura das periferias do Rio de Janeiro. Que, através dos ensinamentos deste curso, adquirem novos ares para continuar com suas atividades mostrando e fomentando as nossas favelas e cada vez mais enriquecendo a nossa cultura.


Fazendo a diferença entre em diversas áreas desde teatro, funk, Hip Hop e músicas regionais, passando por cromoterapia, futebol, artes plásticas, dentre outras, e sem fazer distinção entre elas, vamos contribuindo e alimentando esse terreno tão fértil das periferias e favelas desde o centro até a baixada fluminense.


O QUE VAI ROLAR?


Hall dos elevadores

9h: Exposição Quem somos nós!

Auditório

9h15: Vídeo Periferias em Cena, com depoimentos dos alunos do curso e coordenação

9h30: Cerimônia oficial de abertura com o Hino Nacional em libras

10h30: Coral Entre LIBRASEM Prof Marcos Gil (Mesquita)

11h: Apresentações de Percussão de Dança Afro CIA DE DANÇA ESPAÇO ABERTO ROCINHA

11h30: Esquete “Nem tudo que a gente vê é o que parece” – Grupo Acorda Capoeira e Cultura nas Favelas

11h45: Esquete “Volta às aulas”, livre adaptação de uma crônica de Carlos Eduardo Novaes


Biblioteca

11 às 14h: Exposições de fotos e quadros

12h: Sarau voz e violão – Sara Bentes e Júlio Ribeiro

Sala de artes

11h – Atendimento cromoterápico


Quadra

13h30: Futebol cm equipe dos meninos e meninas do C T Borda do Mato e ONG COMTATO

Área de convivência

13h: Vídeo – Futebol é cultura

13h30: Discotecagem de música popular brasileira contemporânea (MPBC) e musica regional brasileira

15h30: Esquete “Serial Killer” (A teoria do caminhão de lixo)

16h: Grupo Corpo em Movimento (Dança cadeirantes)

16h30: Grupo Jovens da Periferia – Dança de rua

17h: Apresentação de RAP

17h30: Roda de Funk | HIP-HOP


Esperamos vocês lá!


Festival Periferias em Cena

27 de Agosto, sábado,

De 9 às 19h;

IFRJ – Campus Rio de Janeiro

End: Rua Senador Furtado, 121- Maracanã. Rio de Janeiro,RJ


Cartaz do I Festival Periferias em cena - O cartaz, de fundo alaranjado, dá as informações básicas sobre o evento e mostra a ilustração de um rapaz cantando, segurando um microfone, do qual parecem surgir várias imagens: livros, uma lata de tinta spray, um skate quebrado, fone de ouvido, duas figuras que jogam capoeira, o Cristo redentor e várias notas musicais.



sexta-feira, 29 de julho de 2011

Filhos do Brasil, último dia!

Pessoal!! Já a caminho de São Paulo para a última apresentação do musical Filhos do Brasil, passo aqui rapidinho pra fazer um derradeiro convite a quem ainda não viu este espetáculo de alegria e emoção e pra dizer que a Danielle Magalhães pode chegar na bilheteria do teatro e dar seu nome, a cortesia sorteada pelo Boca estará te esperando, Dani!
Eu e todos os outros menestréis esperamos vocês esta noite! Aproveitem e chamem os amigos, familiares e divulguem em suas redes.
Beijos, e obrigada a todos que têm prestigiado e colaborado na divulgação!

terça-feira, 26 de julho de 2011

O sentido que não dorme

Eu e meus sonhos... Daria pra escrever um livro, robusto, com as peripécias que meus sonhos me aprontam, ou que eu apronto a eles... Quantos sonhos premonitórios, sonhos em que eu tenho a plena consciência de estar sonhando, sonhos em que eu própria tomo as rédeas dos acontecimentos e viro a roteirista de um filme fantástico onde tudo pode acontecer, sonhos pra lá de mirabolantes, seria história que não acabaria mais! Sempre fui muito ligada aos meus sonhos, aprendi técnicas pra não esquecê-los ao acordar, busco significado, em mim mesma, pra todos eles, gosto de contá-los e estudá-los. O misterioso mundo do inconsciente sempre exerceu fascínio sobre mim, e, por mais que eu leia sobre o assunto, existem constantemente milhares de perguntas sem resposta. Ainda ontem me aconteceu algo que pode vir tanto responder algumas perguntas quanto instigar ainda mais nossos questionamentos...


“A audição é o único sentido que não dorme.” Foi o que ouvi certa vez em uma palestra de um musicoterapeuta. Refletindo sobre a afirmação, lembrei-me das vezes em que os sons externos entravam em meus sonhos e interferiam em seu curso. Uma campainha tocando faz uma visita chegar em meu sonho, uma conversa na casa ao lado vira um programa de entrevistas na TV que acende de repente em meu sonho, o “pipipi” do despertador entra no inconsciente, essa minha fábrica de fantasia, e é transformado numa bela e rica sinfonia de violinos, flautas, celos, clarins, e acordar que é bom, nada! Essa eterna mania de música... ;) Pensei também nos comandos auditivos que nosso cérebro está condicionado a atender, mesmo dormindo, como um grito de “socorro” ou de “fogo”. Com exceção, claro, daqueles dorminhocos abençoados que não ouvem nem a casa caindo, nossos ouvidos normalmente ficam em alerta e nos acordam diante de tais chamados, porque foram ensinados, ao longo da vida, que gritos como esses sinalizam perigo, para nós mesmos ou para alguém próximo. Certa vez, eu, meus pais e meu sobrinho Giulio, na época com 3 aninhos, dormíamos no mesmo quarto. No meio da noite acordei com um grito feminino, longo e agudo. No início parecia um canto lírico, mas logo entendi que na verdade era um grito por socorro. Sentei na cama, assustada, e percebi que meus pais também haviam acordado. Discutimos rapidamente sobre a origem do grito e chegamos à conclusão de que vinha do quarto ao lado, onde hospedávamos uma amiga. Minha mãe se levantou, foi até lá e, depois de verificar que tudo não passava de um pesadelo da amiga, voltou mais calma. Só então reparamos juntos que Giulio nem se abalara com o grito e continuava dormindo na mesma posição, mesma serenidade. Provavelmente seus ouvidinhos de 3 anos ainda não haviam aprendido a reconhecer perigo num grito de “socorro”. Talvez sua audição tenha identificado o ruído, mas não o significado dele. E o que me aconteceu ontem também vem provar que esse bendito ouvido nunca dorme mesmo. E, com ele, parte da mente também não. Durante uma breve soneca da tarde, após algumas noites muito mal dormidas, comecei a sonhar e, de pano de fundo para as ações que se sucediam, o som de um violão. No sonho passei a dar atenção ao som; era uma música que meu pai, de verdade, vinha ouvindo com freqüência ultimamente, e no sonho era ele mesmo quem a tocava no cômodo ao lado. Ele dedilhava os acordes bonitos até o fim da música, mas estava faltando um, e ele repetia e repetia aquele mesmo trecho buscando descobrir o acorde que viria completar a harmonia. Então sugeri: “Sol!” Mas ele pareceu não me ouvir, continuou tocando, e a cada vez que passava por aquele mesmo trecho, arriscava um acorde, depois outro e outro, mas nenhum soava bem. Insisti: “É sol!” agora com a voz mais forte. E nada, ele me ignorava. Comecei a me irritar com aquelas tentativas dele de acordes a esmo, sem nem experimentar minha dica. “É SOOOOOOOOL!!!” passei a berrar. Nem assim, era inútil. Eu me levantei, talvez planejando ir até ele, mas a porta do cômodo estava fechada, e então eu a chutei bem forte, descarregando toda a minha raiva de não ser sequer ouvida. Desisti, fui para a cozinha, comi, bebi água, até que enfim acordei; lentamente fui me dando conta do corpo, da consciência, da nova realidade, da vigília, mas espera aí... algo não mudara, a trilha sonora ainda era a mesma. Meu pai realmente tocava a tal música ao violão no cômodo ao lado. E melhor: ele realmente tentava descobrir o acorde que faltava. Eu o chamei e, com gentileza, falei: “Pai, já experimentou um sol aí?” Agora sim ele podia me ouvir e acatou minha sugestão. Credo... Que esse meu “ouvido de tuberculoso”, como diz minha avó, pensa música o dia todo eu já sabia, mas até dormindo?! O acorde de sol maior era exatamente o que faltava. É, parece que nosso inconsciente é muito mais consciente do que pensamos. Não devemos nunca duvidar do seu poder e abrangência.


E, pra você, que está se perguntando desde o início do texto, como sonham os seres desprovidos da visão física, sim, nós podemos sonhar com imagens! Dizem alguns estudiosos que as pessoas que perdem a visão vão lentamente se esquecendo das imagens, e depois de alguns anos já não sonham mais com elas, e seus sonhos são feitos das mesmas sensações que experimentam durante o dia: audição, olfato, tato, paladar, assim como quem já nasceu sem enxergar. Meus sonhos são muito coloridos e vivos, e serão assim pra sempre! Como já provou o neurologista e especialista em assuntos da visão e da audição Oliver Sacks, é uma questão de escolha e de estímulo, e algumas pessoas conservam sim as imagens no inconsciente para o resto da vida. E, pra quem acredita na projeção da consciência, no desprendimento do espírito, enxergar durante o sono não é nada impossível, já que a deficiência pode afetar somente a matéria. O que sei é que os sonhos são uma extensão importante do nosso dia, uma parte fundamental da nossa vida, uma dimensão onde também vivemos, aprendemos, encontramos, descarregamos, renovamos, abrandamos. E eu vou continuar me perdendo e me achando nos mirabolantes labirintos da mente, nos caminhos circenses e cinematográficos da minha “vida noturna”.


Comentem e contem, se for contável ;), o sonho mais mirabolante que vocês já sonharam! Dia 29 o Boca no Mundo sorteará entre todos que comentarem 1 cortesia para a última sessão do musical Filhos do Brasil! Obaaa! Pra quem estiver longe de sampa, o prêmio é transferível; então, se você tiver um amigo ou parente na terra da garoa é só me dar o nome que a cortesia estará lá no teatro Dias Gomes esperando por ele! Aproveitem!


sábado, 2 de julho de 2011

Filhos do Brasil – Nova Temporada!


Elenco do musical Filhos do Brasil em silhueta no palco sobre um fundo iluminado de vermelho; cadeirantes lado a lado e atrás de cada cadeira um ator andante.
O público se emocionou, gargalhou, saiu de alma lavada e, claro, pediu mais! E é por isso que os FILHOS DO BRASIL estão de volta! A nova temporada do musical, um dos mais novos e premiados de Oswaldo Montenegro, acontece dentro do Festival dos Projetos Sociais da Oficina dos Menestréis, durante todo o mês de Julho no Teatro Dias Gomes em São Paulo. Filhos do Brasil está em cartaz às sextas-feiras, dias 8, 15, 22 e 29 deste mês, sempre às 21:00 h. A programação completa do festival vocês encontram no site da Oficina dos Menestréis.

O musical, que já foi apresentado pela nossa cia. Mix Menestréis em Dezembro de 2010 e Fevereiro de 2011, fala das diferentes misturas do nosso Brasil, passeando pelas regiões e seus diferentes estilos musicais, pelas etnias, por variadas emoções, com muita música, dança, poesia e surpreendentes interações de um elenco formado por atores cadeirantes, com deficiência visual, com outros tipos de deficiência física e sem deficiência, onde cadeiras de rodas, bengalas, muletas e quaisquer outros assessórios, deixam de ser somente auxílios na locomoção, eles se transformam em parte do cenário ou do figurino, em elementos artísticos e, às vezes, tornam-se até desnecessários.


Estrela - Ceci Yeda, atriz e bailarina cadeirante, dança sorridente e suspensa numa lira, sob luz delicada e fundo azul. Léo e Bia - Guilherme Rocha, ator cadeirante (tetraplégico) corre sorridente pelo palco em sua cadeira motorizada, levando Sara, também sorrindo, de pé na parte de trás da cadeira.


Venham, convidem seus amigos e familiares, ajudem a divulgar! Amigos de Volta Redonda e redondezas, como sempre, estamos programando a van; quem se interessar, entre em contato comigo. E amigos de sampa ou de qualquer lugar do Brasil, do continente, do planeta, do universo, que estejam de passagem ou férias pela terra da garoa, fiquem de olho no Boca porque vai rolar promoção valendo cortesias! Ingressos antecipados podem ser comprados comigo ou com qualquer integrante do elenco e saem a R$20,00(vinte reais). Na hora, os ingressos são mais caros e podem ser retirados na bilheteria do teatro. Então, garantam logo suas entradas e venham conhecer os Filhos do Brasil!


Temporada Filhos do Brasil – dias 8, 15, 22 e 29 de Julho, sextas-feiras, às 21:00h, teatro Dias Gomes – Rua Domingos de Moraes, 348, Vila Mariana, São Paulo, a 5 minutos do metrô Ana Rosa; ingressos antecipados a R$20,00 (vinte reais).


segunda-feira, 27 de junho de 2011

A lição da bola vermelha

A história começou num engano, e nosso engano já começou ali, a caminho da loja de materiais esportivos. Não sei por quê, eu e minha mãe achávamos que a bola terapêutica que eu devia comprar já viria cheia. Chegamos e pedimos a bola. A vendedora trouxe uma caixa tão pequena que pudemos concluir que a bola vinha vazia. Tudo bem. Escolhi uma vermelha. Logo vermelha... Perguntamos: “E como enche?”, e ela respondeu: “Acho que é com bomba de bicicleta, não sei”. Compramos. Era duro ver aquele plástico grosso e maleável todo dobradinho e imaginar que ele poderia ser uma esfera, quase da altura das minhas pernas, que me ajudaria a fazer exercícios físicos, recomendados com urgência para a coluna e circulação. E tal transformação só dependia de uma coisa: encher a bola. Em casa começaram as especulações: bomba de bicicleta, máquina de encher bexiga, posto de gasolina. “Bom, mas se a vendedora falou em bomba de bicicleta, é o que vamos tentar” disse um. “Mas a nossa está quebrada” falou outro. Então pedimos ao vizinho... a dele havia estragado. Ah, lembramos então do vizinho do outro lado... ele não tem mais bomba de bicicleta. E agora? Opa, ainda tínhamos um trunfo: ninguém melhor que o bicicleteiro para ter uma bomba de bicicleta. E quem levaria a bola, ainda “não bola”, até lá? “Levar tudo bem- dizia meu pai –mas como vou trazer essa bola vermelha pela rua? Você não podia ter escolhido uma azul?” A bicicletaria era longe, e não temos carro. Puxa vida, atravessar um bairro carregando uma bola vermelha daquele tamanho... seria mais discreto a melancia no pescoço. Pior que o ridículo, era a falta de jeito para se carregar, caminhando pela rua, um objeto como aquele. E se a bola ainda coubesse numa sacola... é, não faria muita diferença, continuaria sendo uma bola cheia, grande e sem jeito. Recorremos então à idéia do posto de gasolina, que era mais longe ainda. “É só voltar de ônibus” minha mãe argumentava. E meu pai, no contra-argumento, disse “Eu poderia até vencer a vergonha do ridículo e entrar com ela num ônibus sim, mas quem eu acho que não vai conseguir entrar no ônibus comigo vai ser a bola, nem pela janela” Era verdade, nem sabíamos exatamente de que tamanho ela ficaria. Bom, fui fazendo outros exercícios que me ajudassem sem necessidade da bola. Os dias foram passando enquanto nos desdobrávamos pensando em jeitos de solucionar o caso da bola vermelha. Um belo dia, eu estava concentrada em frente ao computador, mergulhada em qualquer assunto de trabalho, quando de repente algo chegou me assustando, quebrando a luz que vinha da janela à esquerda, algo volumoso, enorme e vermelho. Espera aí! Era minha bola vermelha, e cheia! E eu não podia acreditar, olhava e pegava nela sem compreender o milagre. Antes mesmo que eu pudesse falar, perguntar como foi, meu pai, quem a havia trazido, ria gostoso, sonoro, ria do meu susto, ria de nós todos, ria do papel ridículo que nós, seres humanos, fazemos quando complicamos as coisas. “Como? Como você encheu?” eu perguntava. Ele ria mais ainda. Era mesmo ridículo; ele a enchera com seu próprio ar. Como não pensamos nisso antes? Alguém nos disse que talvez a solução fosse uma bomba de bicicleta, ou talvez fosse isso, ou talvez aquilo. E por que nos baseamos nos achismos e opiniões de outras pessoas e limitamos nossos pensamentos e ações subseqüentes sem nem perguntar a nós mesmos o que achamos? Imersos na cultura da burocracia, complicamos quando podemos facilitar, perdemos tempo e muitas vezes dinheiro atrás de maneiras mirabolantes de resolver as coisas, com tanta seriedade, introspecção, peso nos ombros, quando a solução pode estar bem debaixo do nosso nariz. No caso do meu pai, era exatamente ali, debaixo do nariz, que estava a solução: sua boca, que soprou muito, mas muito ar para encher a gorducha. Na boca, em nosso próprio ar, em nosso próprio esforço, num sopro, numa inspiração, numa conversa com uma criança, num sorvete, numa ideia boba que ninguém ousou pensar; as soluções estão aí. O que a gente anda complicando na nossa vida?

Sara sorrindo deitada sobre a bola vermelha e com a cabeça para baixo; sobre sua barriga está sentado Giulio, seu sobrinho mais velho, também sorrindo e de mãos dadas com a tia.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Promoção de Aniversário!

Pessoaaaaaal! Chegou o dia! Hoje foi sorteado o ganhador da promoção de aniversário do Boca e estou aqui pra anunciar o leitor que levou uma camiseta do blog e um CD com 10 músicas minhas. Mas antes, digo a vocês que os maiores ganhadores com esta “brincadeira” fomos todos nós: vocês, que puseram a boca no mundo e comentaram, eu, que me emocionei com cada palavra, e o planeta, que recebeu, intimamente, cada uma dessas mensagens, como sempre recebe tudo o que declaramos, fazemos e pensamos. Realmente me surpreendi com o resultado, com as respostas, poemas, inspirações, canções, reflexões que surgiram a partir da “fantasia” proposta; eu sabia que os comentários formariam um belo mosaico da diversidade humana, com participações de diferentes partes do Brasil, diferentes mentalidades, credos, perfis, mas não imaginei que fosse me emocionar tanto... Deu até vontade de fazer uma música! ;) Mas sobre isso conversamos depois, agora quero agradecer a cada um que participou, que apoiou, que parabenizou, que simplesmente leu e ficou com vergonha de participar, que tentou participar mas não conseguiu postar o comentário mesmo depois de 5 ou 6 clicadas no bendito “postar comentário” (já estamos providenciando melhorias), enfim, a todos vocês, com imenso amor, o meu MUITO OBRIGADA!!
E quem levou a camiseta e o CD foi MATHEUS MARTINS! Valeu, Matheus querido, parabéns! Depois de receber seu prêmio, manda uma foto com a camisa pra gente publicar no blog!
Mais uma vez, obrigada a todos vocês, e fiquem de olho que ainda esta semana tem crônica nova no Boca. Ah, e aguardem, pois em Julho tem nova temporada do musical Filhos do Brasil, em sampa! Beijos!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

1 ano de Boca!


Sara sorri para um globo terrestre erguido por suas mãos. Ela veste uma camiseta lilás com o nome do blog, subtítulo e logo

Viva, viva! Vocês sabem que dia é hoje? Hoje é dia de comemorar, o Boca no Mundo faz seu primeiro aniversário! Pois é, um bebê, nascido tão pequeno e humilde, e que em tão pouco tempo de existência, tem me dado crescentes alegrias e cada vez mais lindas trocas com vocês! Querem ver como ele nasceu? Vamos lá no dia 6 de Junho de 2010, exatamente um ano atrás. Aproveito pra agradecer a todos vocês, que visitam, que lêem, que comentam, que participam, que divulgam, que contribuem e que, de uma forma ou de outra, colaboram! Um MUITO OBRIGADA do tamanho do mundo pra todos vocês! :*


E aqui no Boca, em dia de festa, quem ganha são vocês! Tem uma camiseta do blog e um CD promocional, com 10 músicas minhas, doidinhos pra pertencerem a algum leitor do Boca! Pra concorrer é muito fácil: basta comentar este texto respondendo a perguntinha que segue logo mais abaixo. Recebedores por e-mail que tiverem dificuldade pra comentar diretamente no blog, respondam por e-mail mesmo que a gente publica seu comentário aqui no Boca, formando um mural bem rico de respostas de todos os tipos. Pode participar qualquer pessoa, de qualquer idade, credo, condição, estado civil, profissão, mas desde que seja residente em território brasileiro. O sorteio do presente será dia 20 deste mês e o resultado sai por aqui no mesmo dia. Então participem e fiquem de olho...


Uma vez, sonhei que era um gigante, tão gigante que o planeta parecia uma bola em minhas mãos, e eu já não cabia nele, claro. O espaço sideral era gostoso de se sentir, e meu corpo parecia estar submerso em uma piscina, não pesava, mas também não queria boiar, e nem havia superfície para boiar nessa piscina infinita. Meus movimentos eram fluidos, lentos e relaxados, e apenas a ausência de gravidade me sustentava. Eu podia nadar nesse espaço negro, salpicado de estrelas, por entre os planetas, lua e sol. Mas só um planeta me atraía: a Terra, uma bolinha viva e pulsante entre minhas mãos. Eu não podia movê-la; na verdade, nem tocar diretamente nela eu podia, já que em torno de toda a esfera havia uma energia, uma capa magnética, que pulsava, pulsava, emanava calor e luzes de variadas cores. Mesmo assim, eu mantinha as mãos em volta dessa bola pulsante, a acolhê-la. Os sons que vinham da Terra me soavam como pequenas explosões, sobrepostas a um contínuo, misterioso e distante som, como o som que ouvimos dentro de uma concha do mar. E, de repente, tive a consciência de que a Terra podia me ouvir também, incluindo todos os seus habitantes humanos, animais, vegetais, minerais, tudo, desde o peixinho mais fundo no mar até a ave do pico mais alto, passando pelos homens líderes de todos os países, por todas as crianças, por todos os surdos, independente da língua, todos compreenderiam minha mensagem, qualquer pessoa que estivesse andando por uma grande avenida ou que estivesse dormindo, receberia minha mensagem. Então eu abri a boca...


E você? Se um dia estivesse diante do planeta, sabendo que toda a Terra te ouviria, o que você faria?...