sábado, 19 de março de 2011

Campanha do Apagão

Outra noite eu tomava banho na casa de uma amiga e sua mãe gritou da porta: “Menina! Ta tomando banho no escuro?” Minha amiga deu uma boa risada. “Mãe, esqueceu que ela não precisa de luz?” ela falou. Ali eu me dei conta do favor que tenho feito ao planeta economizando, há quase um ano, uma boa quantidade de energia elétrica! Às vezes, ao entrar em um cômodo, meu corpo ainda sente o impulso de erguer o braço e acender a luz, mas logo me lembro de que sou uma pessoa com... “independência visual”, e não preciso da luz elétrica. Uma amiga minha, cega há 20 anos, até hoje mantém o hábito de acender a luz em todo cômodo que entra à noite, e ainda consegue se lembrar de apagar quando sai. Era só o que me faltava: uma cega com medo do escuro. Pra quê, minha gente, se podemos economizar energia e contribuir com o meio ambiente? Ela diz que prefere evitar o susto das pessoas de entrar em casa e encontrar alguém no escuro. Assim como nós nos acostumamos com os sustinhos de esbarrar com alguém no silêncio, as pessoas se acostumam a nos encontrar no escuro.

Hoje são muitas as idéias e os projetos sendo desenvolvidos para tentarmos reverter, ou simplesmente amenizar, os estragos que nós mesmos provocamos em nosso planeta. E, em se tratando de fontes alternativas de energia, são cada vez mais impressionantes e inovadoras as técnicas de captação. Depois da energia solar, da eólica, da energia captada dos pulos dos jovens através do pavimento de danceterias, da energia aproveitada de gases dos dejetos de animais, agora até as fezes humanas são transformadas em eletricidade. É isso aí, pessoal, o número 2 pode acender as luzes das nossas casas. É tudo uma questão de engenharia e, claro, de investimento. Enquanto ainda não temos meios de aproveitar em nosso dia a dia todos os tipos de energia que nós mesmos produzimos, simples mudanças de hábitos e a criação de novos já ajudam na preservação da nossa casa Terra. E eu estou aqui hoje propondo um novo hábito a vocês e lançando a Campanha do Apagão. Não, não é aquele apagão de todas as luzes da casa durante 10 minutos marcado pela Internet em várias partes do mundo, como aconteceu em Abril do ano passado e que, aliás, é muito legal. Mas a idéia aqui é outra: façam mais coisas no escuro, acendam menos as luzes da casa quando estiverem sozinhos, conversem no escuro e vejam como ouvirão melhor a voz do outro, suas nuances mais sensíveis, sua essência e o que realmente ela quer dizer, cantem no escuro e sintam a vibração da própria voz, tomem banho no escuro e exercitem o tato, realizem tarefas automáticas no escuro, como lavar a louça, trocar de roupa, dobrar as cobertas, andem pela casa de olhos fechados e trabalhem a noção espacial, bem como a calma e a perseverança, ponham vendas para namorar, privando-se até mesmo da penumbra do quarto, e percebam muito mais intensamente o outro. No início só não recomendo que se experimente cozinhar ou realizar outras tarefas que ofereçam alto risco de ferimento.

Alguns amigos e familiares, desde o meu “apagão”, espontaneamente passaram a experimentar fazer coisas em casa na completa ausência de luz, só para sentir na pele como seria a minha percepção. Estes são, sem sombra de dúvida, os que se tornam mais cúmplices, mais sensíveis às minhas dificuldades e mais familiarizados com as melhores maneiras de ajudar e de interagir, comigo e com qualquer pessoa que não enxerga. Mas não é só isso que eu e eles ganhamos com a experiência; vira e mexe e algum deles vem me contar descobertas incríveis e sentimentos surpreendentes com os quais têm entrado em contato se privando da visão por uns momentos. E ainda, de quebra, eles economizam luz. Já a Campanha do Apagão propõe: economizem luz, realizando tarefas no escuro! É simples, barato, e vocês ainda levam de brinde o aprimoramento dos outros sentidos, a sensibilidade para compreender as dificuldades de outras pessoas, o intenso contato com novos e enriquecedores sentimentos e sensações e uma boa oportunidade de se conhecerem melhor! Puxa, as vantagens parecem boas! Nós ajudamos o planeta e nos tornamos pessoas mais sensíveis. Que bom, porque nos tornando pessoas mais sensíveis ajudaremos cada vez mais o planeta. Afinal, o planeta, aquela bola gigante aparentemente inalcançável em seu todo e, pela televisão, quase um caso perdido, é um pedaço, é um espelho, é cada um de nós. E começa dentro da nossa casa.

Espalhem a campanha por e-mail e venham me contar, aqui mesmo nos comentários dessa postagem, suas experiências com o apagão. Tenho certeza de que vocês terão relatos divertidos e surpreendentes. To esperando vocês!

Pessoal que já vive no apagão como eu, incentivem a campanha entre amigos e familiares!

Sara sorrindo, de olhos fechados, com camiseta verde com a seguinte estampa: Campanha pela salvação do planeta - Faça como eu: economize luz!

domingo, 13 de março de 2011

Siempre Estarás en Mí

Foto em preto e branco mostra Fito Paez tocando um piano em uma pequena sala, com fotos emolduradas na parede, ao fundo.
Eu tinha doze anos. Era hora do almoço, o sol estava forte e eu estava sozinha dentro do micro-ônibus escolar, parado, esperando o restante dos alunos para voltarmos à casa. Foi quando ouvi no rádio do veículo, sintonizado numa rádio jovem da região, uma raridade, uma música que nunca mais ouvi na mesma rádio. E talvez realmente ela nunca mais tenha tocado ali, mas pelo menos uma vez, no momento certo, ela precisou tocar, pra que eu a pudesse ouvir. A letra da música não compreendi bem, falava alguma coisa de mariposa. Reconheci a voz do Caetano, inconfundível, e a outra voz... hum, era uma voz igualmente única e marcante, tinha um sotaquinho simpático e muita personalidade, alma, uma voz que eu nunca tinha ouvido, mas era como se ela sempre tivesse estado em mim.

Nove anos depois, eu estava no teatro El Libertador, em Córdoba, Argentina, cantando a mesma música que falava da mariposa. Mas não uma mariposa qualquer, uma Mariposa (em português, borboleta) Tecknicolor! Eu sabia que seu autor, o cantor e compositor argentino Fito Páez, era muito querido em seu país, o que eu não sabia era que aquelas duas mil e poucas pessoas cantariam em coro comigo aquela música como se fosse um hino, cantado por todas as idades, a alta voz, cada frase e palavra mais que decoradas. Aquela foi, sem dúvida, uma das maiores emoções que já vivi num palco. Não só pela estrondosa surpresa, ou pela beleza da música, que envolve com alegria a todos que a escutam, mas pela forte presença da arte de Fito em minha vida desde o início da adolescência. Sim, fui uma adolescente estranha, que ouvia música argentina enquanto minha turma de escola estava <br />Foto em close de Fito, de perfil, olhos fechados e rosto levemente voltado para cima.ouvindo os maiores sucessos dance; eu pedia pra minha mãe fazer bolo nos 13 de Março e comemorava daqui de longe o aniversário e a vida do meu ídolo argentino; meu pai, nas frustrantes tentativas de me acordar às cinco e meia da manhã pra ir à escola, depois de esgotar seu repertório de argumentos e estímulos, dizia-me que tinha alguém me chamando no portão, um moço magro, de cabelos cacheados, nariz avantajado, e que falava meio enrolado, com um sotaque argentino, e eu acordava sorrindo diante da fantasia. Já se vão 17 anos desde a primeira vez que ouvi aquela mariposa voar, e ainda hoje ela e seu dono me fazem sorrir.

Sempre fui bastante eclética e gostei de ouvir música de todo canto do mundo, e não foi difícil pra mim me abrir a uma música tão diferente da nossa, tão passional e intensa como a de Fito, uma música que nem todo mundo curte de cara. Sua voz, nem sempre comprometida com a afinação e com a polidez, tem algo que muitas vozes por aí com mestrado e doutorado não conseguem conquistar, e, a quem vive na mesma sintonia de amor, de sinceridade e de coragem, encanta, arrebata. Essa voz, que já me trouxe tanta poesia, tanta inspiração, tantos novos sentimentos e sonhos, acompanhou tantos momentos difíceis trazendo consolo, acompanhou tantos momentos felizes trazendo ainda mais combustível, até hoje é capaz de me arrepiar, e soa tão familiar e arraigada que parece a voz de um pai, um pai que me chama de manhã cedo dizendo: “Lá no portão a vida te espera. Vem, vem viver!” E, além de colorir minha vida com sua Mariposa Tecknicolor, seu Circo Beat, sua Euforia e tantos outros grandes trabalhos, ele acabou se tornando sim uma grande referência musical.

A adolescência acabou faz tempo, mas eu sigo sempre na mesma Fitomania, na mesma Fitoterapia sem planta. ;) E hoje, em mais um 13 de Março, no nosso Fito´s Day, deixo aqui minha lembrança, minha homenagem, meu agradecimento a este artista tão importante, com um vídeo humilde em que eu e Rodolfo (meu teclado) estamos tocando e cantando uma versão que escrevi em português, mas bastante fiel à letra original, de uma canção das mais antigas do Fito: Las Cosas Tienen Movimiento, uma canção que, se Deus quiser e o Fito autorizar, estará no meu CD. ;) Minha cinegrafista e cúmplice, minha prima Aline, que também foi arrebatada pela música de Fito assim que a conheceu, apresentada por mim, e desde então foi uma grande companheira de shows, audições caseiras e buscas por mais informações sobre o artista, assina comigo esta homenagem.

Na verdade posso ouvir música árabe, italiana, chinesa, americana, indiana, posso conhecer e acolher em meu coração novos grandes artistas, mas o fato é que, Fito, siempre estarás, siempre estarás en mi! Y en fá, en sol, iluminando minha vida!





domingo, 6 de março de 2011

Presentinho só pra vocês!

É, pessoal, a temporada de Filhos do Brasil terminou e a saudade ficou... O público riu, chorou, vibrou, saiu do teatro de alma nova e transbordante de encantamento. Foi um sucesso! A Cia Mix Menestréis disse a que veio e deu ao povo todas as intensas e diferentes emoções que viveu no palco. Quem não foi, arrependeu-se; e quem foi, arrependeu-se também, de não ter ido outra vez! ;)


Existe a possibilidade de uma nova temporada em Sampa e de trazer o espetáculo para o estado do RJ. Agora é cruzar os dedinhos, enviar boas energias, pedir que os caminhos se abram e torcer! Enquanto isso, vocês que não foram, e vocês que foram e ficaram com gostinho de quero mais, fiquem agora com toda a alegria e a emoção de Leo e Bia, uma cena inteira do espetáculo:



Aproveitem!


Parabéns, menestréis queridos! Saudades já do tamanho do mundo! Love vocês tudo!!!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A teimosia e a persistência

Desenho bem colorido de uma sereia, rodeada por um cavalo-marinho, um peixinho, uma ostra, e algas. No canto superior direito, está escrito 'Tia Sara', cada letra pintada de uma cor.
Dizem que ariano é teimoso. Eu, como uma boa ariana do dia primeiro de Abril, diria que somos... persistentes. ;)

Mas qual a diferença entre a teimosia e a persistência?...

Pra quem vê de fora, somos teimosos quando insistimos num erro, ou quando afirmamos algo que todo mundo sabe que, na verdade, é o contrário. Mas e se o mundo estiver enganado e a nossa afirmação for enfim comprovada? Mas e se o nosso “erro” um dia render bons frutos? E se um dia nossa insistência no que todos pensavam ser um erro alcançar um grande resultado? Aí fomos persistentes! Enquanto não chegarmos ao que almejamos com nossa persistência, somos só teimosos...


O pianista João Carlos Martins, depois de ter o movimento das mãos e dos dedos comprometido por uma sucessão de acidentes, tornou-se maestro.
Sara e o maestro João Carlos Martins, no palco, em frente ao piano e à orquestra, no Teatro Nacional em Brasilia, 2007. O cara não viu barreiras para continuar vivendo com e para sua musa: a música. Depois, não satisfeito, mesmo com apenas dois ou três dedos aptos a pressionar uma tecla de piano, voltou a tocar, dentro de suas possibilidades. E, com dois ou três dedinhos, provando que mais importante que a quantidade é a qualidade, voltou a emocionar com seu piano. Há alguns anos, tive a oportunidade de comprovar de perto, e até de cantar acompanhada por ele, que tocou o prelúdio de Bach enquanto eu cantei Ave Maria.

Tive também a oportunidade de ouvi-lo dizer, quando alguém exalta seu retorno ao piano como um grande feito de superação, que, na verdade, é só teimosia. Não sei se nosso querido maestro, e pianista, é ariano, Mas sei é que ele me deu uma boa idéia...


Meus amigos mais próximos sempre souberam de uma das atividades que eu desenvolvia paralelamente à música. Desde muito pequena, logo que comecei a enxergar, lá nos meus dois ou três anos, eu amava desenhar! Passava horas colada no papel, pra minha visão limitada alcançar alguma coisa, e desenhava pessoas imaginárias, desenhava situações, desenhava multidões, desenhava praias cheias de gente; sempre gente, sempre gente.
Sara cantando, usando um elegante vestido azul de cortes assimétricos, com bordados e detalhes em strass. Muita gente não acreditava que fosse eu mesma que desenhasse, então eu fazia questão de desenhar na frente de quem fosse. É um dom familiar, e que, mesmo com minha baixa visão, veio comigo também. Fiz exposições, desenhei vestidos pra mim, desenhei a capa do meu primeiro livro (que ainda vou publicar :) ) e alimentei bastante minha visão com cada traço no papel, cada cor, cada sombreado, cada brilho.

Um dia a visão se apagou. “É porque a vida não quer mais que você desenhe” sentenciariam os mais fatalistas. Mas na mente continuei desenhando, e nos meus sonhos noturnos também. Embora soe contraditório, sempre fui uma pessoa bastante visual. E as imagens continuam vivas e fortes em mim, e o impulso criativo de gerar imagens no papel também. O que eu posso fazer? Por um tempo lamentei. Mas um dia, numa sessão com uma psicóloga da Fundação Dorina Nowil para cegos, ela me surpreendeu:


-Faça um desenho pra mim.

-Hem? A senhora está falando comigo ou tem mais alguém na sala?

Ela me mostrou uma prancheta de madeira, revestida de um tipo de tela de janela. O papel é colocado em cima e, quando riscado, a tela se encarrega de fazer o relevo. Adorei a brincadeira, não queria sair de lá, fiz um monte de desenhos. Quando cheguei em casa e contei pra mamãe, ela se lembrou de algo que tinha havia anos guardado, sem utilidade. Ela me deu uma borracha de desenho tátil, um aparato que faz a mesma função da prancheta revestida de tela. É uma borracha bem maleável, de um dedo de espessura, e do tamanho exato de uma folha A4, que veio lá da Espanha, de uma associação de cegos de representatividade internacional, a ONCE.

Munida de meu aparato internacional, comecei a treinar. Claro que o novo método tem suas limitações e o relevo não comporta todas as técnicas que eu usava antes. Mas, como sou uma ariana teimosa, ops, persistente, sigo insistindo enquanto isso me der alegria.

E bons frutos já apareceram bem cedo. Os sobrinhos Giulio e Pietro, lá da Itália, que também adoram desenhar, sempre mandavam desenhos pra tia Sara, pra vovó e pro vovô aqui no Brasil. Um dia minha irmã teve que contar a eles que a tia Sara não podia mais ver os desenhos. Então os três juntos desenvolveram a técnica da cola; minha irmã passava cola branca nos contornos dos desenhos deles, e a cola, quando seca, faz o alto relevo. Depois os meninos ainda gravavam arquivos de áudio descrevendo os próprios desenhos e contando a cor que usaram em cada elemento, em cada florzinha, em cada peça de roupa dos bonequinhos. Depois eles descobriram uma técnica menos trabalhosa, descobriram que desenhar com o papel sobre uma manta, sobre a mesa, dá um relevo legal, até parecido com o da borracha de desenho tátil. Enquanto isso, daqui fui desenvolvendo minha nova técnica e passei a enviar desenhos pros meninos também, voltando a me comunicar com as crianças por mais essa linguagem, universal. Só que, ao contrário dos desenhos dos sobrinhos, os desenhos da tia Sara não chegam coloridos... Peraí, gente, vamos com calma! Pintar sem enxergar já é teimosia demais! :D E, como teimosia aqui é o que não falta, vou até tentar.

Mas, enquanto isso, proponho aos meninos uma parceria: eu desenho e eles pintam. E assim seguimos, nessa interação gostosa e criativa. O desenho da sereia no início do texto é um exemplo da parceria Tia Sara-Pietro Cernusco!


Abaixo, alguns dos desenhos antigos pra vocês! Sei que ainda falta um pouquinho pra eu chegar de novo no nível de detalhes que eu fazia antes, mas aqui tem persistência de sobra, e eu chego lá!


Desenho todo pintado de amarelo, mostra uma menina dentro de uma casa, tocando um ursinho de pelúcia; na blusa dela, de manga  comprida, estampa de uma partitura musical, com o trecho de uma melodia.O som do amarelo - 2000

Desenho em preto e branco de uma aglomeração de aproximadamente 70 pessoas, de diversas etnias e idades, indo em diversas direções, preenchendo todo o espaço da tela.Muvuca - 1999

Desenho todo pintado de azul mostra um rosto feminino sob uma luz indireta; atrás, uma paisagem noturna e urbana mostra trecho de uma rua, com um carro e construções.Azulzinho - 2002


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Uma garfada, três gargalhadas

Bom, eu prometi. E, como sou uma moça de palavra, e de ação, Estou voltando pra contar como foi o “Comendo no Escurinho” , o jantar que fiz e propus a meus convidados que comessem de olhos vendados. Pra começar, eles entraram de cabeça na brincadeira e nem quiseram que eu contasse o que era o cardápio, preferiram exercitar o paladar e tentar descobrir sozinhos. Combinado então. Já vendados, foram todos guiados por mim até seus lugares à mesa. Depois dei algumas dicas básicas sobre o manuseio de talheres, copos e pratos na ausência de visão, pra aliviar um pouquinho a barra dos ceguinhos de primeira viagem. Hehe! Aos poucos, eles próprios foram descobrindo suas técnicas e maneiras de se situarem e de localizarem o outro, com estalinhos dos dedos, com batidinhas do garfo no copo de vidro. Servi suco a todos, um suco maravilhoso, de melão com abacaxi e hortelã, que nosso amigo, e ator, e músico, e compositor, e agora suqueiro Bianco Marques fez. “Por que eu estou com a sensação de que a Sara é a única que enxerga aqui?” perguntou Danilo Nardelli, abrindo a sequência de percepções interessantes da noite, “escura”.

Sara servindo aos amigos Ângela, Danilo e Vânia, vendadosAí veio a entradinha: ovinhos de codorna, para serem fisgados com palitinho e passados numa maionese de berinjela. Maldade? Imagina! Nem servi comida japonesa pra ser comida com os temidos hashis! (Hum, boa ideia para a próxima... hahaha) E foi um tal de espetar a mão do outro, espetar o prato, a vasilha, a mesa, tudo era fácil de alcançar, menos o ovo. Mas a batalha foi um bom começo pra galerinha se virar no apagão, tanto que depois foi surpreendente a pouca bagunça que eles fizeram; eu juro que subestimei meus amigos e familiares e achei que ia rolar comida derramada, copo virado, garfo voador, sobremesa roubada sem querer do pote do outro. Mas não, todos se saíram muito bem, com o risoto ao fungi, o saladão de legumes, grão de bico e hortelã e a sobremesa pra lá de refrescante e saborosa de gelatina em cubinhos coloridos ao creme, feita por nossa amiga, e cantora, e professora, e jornalista, e agora gelatinista Vânia Lee. Claro que foram inevitáveis as garfadas fantasmas (aquela garfadinha que a gente abocanha com tudo e...não veio nada!), as derramadinhas de grão de arroz em torno do prato, as tentativas frustradas de acertar a boca; normal, todo cego amador passa por isso... Divertidas também foram as tentativas de cada um de adivinhar o que estavam comendo: “uma porção de bolinhas de gude”, “uma coisinha molinha que se parece um peixinho”, “será que estou comendo o mesmo que ele? Não estou achando nada disso!”

Ah, e não posso deixar de contar o surreal momento pré sobremesa, quando todos, já munidos de seus respectivos potinhos, uns de vidro e outros de metal, e colheres, e já embriagados de gargalhadas, endorfina, suco de melão e fungi, improvisamos uma bela orquestra rítmica, produzindo tilintares de diferentes timbres com colher no vidro, colher no metal, vidro no metal, colher na mesa, vidro na mesa, mesa no metal... que loucura! Foi melhor que ser criança. E o resultado de tudo isso, além de muitas, mas muitas gargalhadas, foram as mais ricas percepções: “Parecia que eu estava em outra dimensão... E, quando todos falavam ao mesmo tempo, eu me sentia perdido e ansioso.” disse Bianco, imediatamente após tirar a venda. “A gente come mais devagar.” percebeu Danilo. “Sara, você chutou no meio do gol!” falou nossa amiga, e atriz, e cantora, e professora Ângela Oliveira, aprovando o cardápio e os sabores. Se todos gostaram tanto assim da comida, não sei, mas da brincadeira tenho certeza que todos amaram! E quanto à cozinheira, estejam certos de que ela curtiu cada momento, cada descascar de ovinho de codorna, cada pedacinho de cenoura cortado, cada fungi picadinho, cada risada. E não é que eu estou gostando desse negócio de cozinha não mais só pra comer? :)



Risoto ao funghi, salpicado com queijo parmesão No centro da mesa, salada colorida de grão-de-bico, cenoura, vagem, milho, azeitonas, pepino e hortelã, rodeado de copos com suco e pratos.

Quem enxerga disse que os pratos ficaram bem bonitos. Estão aí as fotos pra quem quiser, e puder, conferir. Parabéns aos colegas de apagão por um dia e obrigada pela contribuição e pelo amor de vocês, amigos queridos e papai e mamãe!

Sara e os quatro amigos, já sem as vendas, sorrindo para a foto

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Última chamada e Promoção!

É hoje, pessoal! A segunda temporada do musical Filhos do Brasil começa hoje! Quem ainda não garantiu seu ingresso antecipado, está em tempo, faça contato. E quem garantiu seu par de cortesias participando da promoção do blog foi: Vanessa Lima da Costa Leite. Parabéns, Vanessinha!!! A moça chegou primeiro, respondendo corretamente a pergunta da promoção. Então, moça esperta, é só me dizer por e-mail (sarabentes@yahoo.com.br) o dia de sua preferência e suas cortesias estarão te esperando na bilheteria do teatro.
Então, eu e todo o elenco mais que afiado esperamos vocês lá! Menestreis queridos, gasolina nessas cadeiras, GPS nas bengalas, e vamos longe! É nós!!!


Espetáculo Filhos do Brasil

Nova temporada: Dias 05, 06, 12 e 13 de fevereiro. Sábados (21h) e domingos (20h).

Local: Teatro Dias Gomes. Rua Domingos de Moraes, 348, Vila Mariana. Próximo ao metrô Ana Rosa.

Mais informações: (11) 5575-7472 www.oficinadosmenestreis.com.br



segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Filhos do Brasil, o retorno!

Parte do elenco do musical posando sorridente para foto após apresentação.

A primeira temporada foi um sucesso! E, pra quem perdeu em Dezembro, esta é a chance! Mais animados que nunca, os atores da turma Mix Menestréis retornaram ontem aos ensaios para a segunda temporada do musical Filhos do Brasil, de Oswaldo Montenegro, sob a direção de Deto Montenegro. A tarde de ontem foi a hora de reencontrar os amigos de palco, matar um pouquinho das saudades e recordar todas as falas, movimentos, músicas. E até que a gente, depois de mais de um mês de férias, não fez feio com a memória! Então, eu, meus colegas de apagão, os cadeirudos, e a galerinha sem deficiência (aparente... hehehe), enfim, a turma mais animada desse país espera vocês lá nos próximos fins de semana!

Dias 5, 6, 12 e 13 de Fevereiro, sábados às 21h e domingos às 20h, no teatro Dias Gomes, rua Domingos de Moraes, próximo ao metrô Ana Rosa. Ingressos antecipados comigo a R$20,00 (vinte reais) e na hora a R$50,00 (cinqüenta reais) ou meia pra estudantes. Então garanta o seu ingresso antecipadamente!

E o Boca no Mundo vai dar uma forcinha e oferecer um par de cortesias à primeira pessoa que escrever para sarabentes@yahoo.com.br, respondendo a pergunta: Que camisa eu vestia na primeira vez em que pisei o palco dos Menestréis, antes mesmo de saber que peça montaríamos? Olha, minha gente, mais moleza que isso, senta no pudim!

Para a galera de Volta Redonda e redondezas, ainda tem lugar na van que levará uma turma para assistir ao espetáculo do dia 12, sábado. Mais informações, ligue para (24)9948-4030.

Venham viver com os filhos do Brasil muita música, dança, poesia, boas risadas e fortes emoções! Nos encontramos lá!