segunda-feira, 24 de março de 2014

Pergunta Idiota, Tolerância em Exercício 2

Pergunta Idiota, Tolerância em Exercício 2
- E outras pérolas -



Como aqui no Boca promessa é dívida, hoje compartilho com meus leitores queridos mais um trechinho do acervo de perguntas idiotas, respostas malcriadas e outras pérolas que venho colecionando ao longo dessa vida de “apagão”. Então lá vai, abobrinhas que ouvi e respostas que nem sempre a elegância me permitiu dar:

Taxista para em frente à minha casa pra me pegar e me vê sair sozinha do portão com Izadora. Ele sai apavorado do carro, logo encontra a imagem de minha mãe lá no alto na janela da varanda e troveja com ela:
 -Ô dona! Eu não sei o que fazer com ela não! Eu não sei pegar ela não! Ela vai machucar!
E eu, andando com Izadora em direção à voz dele, rio e tento pedir-lhe calma, mas seu pavor é tanto que ele parece não me ouvir; não ouve nem vê nada, e consigo achar a porta do carro e entrar antes dele, enfim conseguindo vencê-lo falando mais alto:
-Eu vou te dizer o que fazer comigo: em primeiro lugar, fica calmo, eu não mordo.
Depois de um riso tenso, ele relaxou um pouco, entrou no carro e conseguimos estabelecer um diálogo durante o trajeto. Chegando ao destino, ele conseguiu até pegar no meu braço e me conduzir, trêmulo, pela calçada da escola de dança.

Recepcionista de um hotel em São Paulo durante o meu check in se dirigindo à moça que foi apenas me deixar no hotel:
 -O quarto dela é no segundo andar. Ela sabe subir escada?
Não, só sei descer. (respondo em pensamento)
-Sei subir escada e sei falar também, pode perguntar pra mim. (essa sim eu falei)
Como ela riu sem graça e passou a se comportar bem, o festival de pérolas parou por aí. Mas neste caso a única pérola da pobre moça é tão carregada d significado social que daria pra desenvolver uma tese de mestrado. Mas, como nós não temos tempo pra isso e nem estamos fazendo mestrado, que tal brincar do jogo dos 7 erros? E se duvidar tem mais de 7. Analisa comigo: “O quarto dela é no segundo andar. Ela sabe subir escada?”
Erro 1: A escada. Pra começar, que hotel bandido é esse que não tem um elevador? Ali ninguém ouviu falar em acessibilidade?
Erro 2: “ela sabe subir escada” Será que ninguém ensinou pra ela a diferença entre saber e conseguir ou ela acha que a cegueira desce e compromete também as pernas?
Erro 3: “sabe subir” Será que, unindo a teoria de que pra descer todo santo ajuda à crença de que santos devem estar sempre perto de pessoas cegas, porque cegos precisam de um milagre e milagre é coisa de santo, a moça realmente acreditava que pra mim só seria possível descer e não subir as escadas?
Erro 4: “ela” A moça realmente achou que minha acompanhante, que eu mal conhecia e que nem ia ficar no hotel comigo, sabia mais sobre mim que eu mesma ou ela no fundo no fundo sabia que sua pergunta era tão chocante que eu não suportaria ouvi-la direcionada diretamente a mim?
Erro 5: Pra onde foi o treinamento de atendimento a pessoas com deficiência que seu chefe deveria ter proporcionado a todos os funcionários do hotel?
Erro 6: (E este é meu) por que eu não respondi o que pensei responder? Acho que ela nunca mais pensaria em perguntar o mesmo pra outro cego, e teria sido mais divertido...
Erro 7- Me ajuda aí! Brincar sozinha não tem graça... Se achar o sétimo erro comenta e conta pra gente!

 Funcionária de um certo grande banco ao preencher um cadastro de controle da minha conta corrente, provavelmente no item “escolaridade”:
 -Você é alfabetizada?
Não, não. Nunca estudei, não trabalho, e inclusive abri uma conta aqui pra depositar as moedinhas que ganho no semáforo. Você aceita depósito em moeda, não aceita? (Essa foi só em pensamento. Na hora fiquei tão chocada que não consegui elaborar verbalmente tudo isso.)
E depois de eu dizer, chocada, um “claro”, ela insistiu na subestima:
 -Mas você fez até que série? Você se lembra assim mais ou menos?
Por favor, alguém me traz um calmante... Essa bruaca confunde cegueira com falta de memória ou o quê? (em pensamentos espumantes de raiva)

Funcionário de empresa aérea me conduzindo para o embarque após já ter dado vários furos comigo durante o check in:
-Agora no portão de embarque pega na sua bolsa um dos papeis que te dei, aquele rosa.
Ah, claro, o rosa...  Moço, não serve o preto? Só tô vendo papel preto aqui, aliás tô vendo tudo preto. Ah meu Deus, o que está acontecendo comigo? Me chamem um médico!!! (em pensamentos gargalhantes)

Eu atravessava uma rua com uma amiga e inacreditavelmente no meio da rua (não perto de uma calçada, não perto da outra, mas exatamente no meio da rua) um senhor muito simples e com carregado e simpático sotaque mineiro para e diz à minha amiga:
-Óia, leva ela lá em Minas que lá no interior tem um peixe que ocê abre o fígado dele, pega o óleo, pinga no olho e ela vai ver tudinho!
Entre dar atenção a ele e ao ônibus que vinha em nossa direção, só consegui dizer:
-Mas moço, eu sou vegetariana!
E ele, voltando a andar e olhando pra trás, pra ainda nos encarar, insistia:
-Vai lá, pesca no rio, abre o fígado dele e pinga o óleo no olho que ocê vai ver tudinho!
Terminamos de atravessar a rua, entre a curiosidade e o riso, e ele, já do outro lado da rua, ainda acrescentou:
-Eu num sei o nome do peixe não, mas ocês procura lá o peixe que cura as vista!

Esta próxima faz sucesso contada ao vivo, por aqui não sei como pode funcionar, mas vamos lá e fica também a promessa de contar ao vivo pra vocês na primeira oportunidade.
Senhora japonesa (mas dessas bem bem bem japa, do tipo que está no Brasil há 50 anos e nunca aprendeu o português) viajando ao meu lado de Resende até São Paulo. Vale destacar que justo naquele dia eu precisava de verdade dormir na viagem. Mas ela, pelo jeito, precisava de verdade matar sua curiosidade... Talvez ela tenha esperado sua vida inteira pra entrevistar uma pessoa cega, e a sorteada fui eu... Pra simplificar, imaginem antes de cada fala dela uma boa cutucada em meu braço; e imaginem também Uma voz abrutalhada e num nível de volume que atendia a todos os passageiros do ônibus... Bom, agora com a imaginação preparada, acompanhem a entrevista referência em polidez e discrição:
Japa: Você cega nascença?
Eu, falando baixinho: Não exatamente, eu enxergava um pouco, depois perdi a visão.
Japa, condoída: Áiaaah...
Pausa pra reflexão, e elaboração da próxima e rebuscada pergunta.
Japa: Mas você enxerga poquinho, né?
Eu: Não, não, não enxergo nada.
Japa: Nada nada? Áiaaah...
Mais uma pausa, que aproveitei pra virar a cabeça pro outro lado, na ilusão de cochilar um pouco.
Japa: Mas você viajar sôzinha sôzinha?
Eu: É, tem que ser.
Japa: Áiaaah...
Outra pausa.
Japa: Você passear São Paulo?
Eu: Não, vou trabalhar.
Japa, mais chocada que nunca: Mas trabalha?!... Áiaaaaah!
E assim seguimos até São Paulo, numa tranquila viagem de 5 horas de cutucadas e gritos ninja.

Depois dessa, só me resta parar por aqui. Tenho ainda umas das boas pra compartilhar com vocês, mas é que haja estômago pra tanta abobrinha assim de uma só vez... Num próximo conto mais.
De novo, meus amigos, é importante lembrar que o papel dos mais informados é sempre informar, que parte da nossa missão enquanto pessoas com deficiência e pessoas que convivem com a deficiência de alguma forma é aproveitar cada oportunidade pra informar, com paciência, e reivindicar, pra que situações como essas acima sejam cada vez menos frequentes até desaparecerem da nossa sociedade. Mas... enquanto elas não desaparecem, a gente continua informando, e rindo um pouquinho que é bom demais... ;)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O Segundo Filho




Há quase um ano, eu me preparava pra receber meu segundo filho: o livro de crônicas “Quando Botei a Boca no Mundo”. Eu aguardava ansiosa em casa a chegada das caixas, repletas da nova produção independente, que viriam diretamente da gráfica, enquanto preparava os detalhes das festas de lançamento em Volta Redonda e no Rio de Janeiro. A gente gera um filho e nunca imagina quem virá, como virá, como vai se comportar, quantas pessoas vai encontrar... E este meu filhote, em quase um aninho de publicação e depois de lançamentos posteriores em outras cidades, tem crescido e me dado cada vez mais alegrias.

Pra começar, nos dois saraus oficiais de lançamento tivemos presenças ilustres de amigos, apoiadores, admiradores do nosso trabalho e, é claro, os fãs incondicionais: os familiares; compartilhei canções com amigos músicos e tive meus textos lidos e interpretados por vozes profissionais e queridas, como o radialista Dário de Paula, de Volta Redonda, e o ledor Marcus Bittencourt, do Rio de Janeiro; enfim foram does encontros de arte, de comunhão, de antigos e novos amigos.



Passados os saraus de lançamento, veio a parte mais difícil: esperar as notícias de como seu filho tem interagido com as pessoas, como tem se comportado mundo afora... E não esperei muito, dentro de alguns dias eu já começava a receber grandes presentes, que eram o retorno das pessoas sobre o livro. Comecei a ouvir, de crianças, adolescentes e adultos de todas as gerações, que durante a leitura estavam rindo e chorando, refletindo, aprendendo muitas coisas novas, aproveitando de todas as formas e o melhor: contavam que pegavam o livro à noite pra ler uma crônica antes de dormir, e de repente se davam conta de que já tinham lido cinco ou seis, e ainda não queriam parar de ler... E o mais bonito disso tudo não é ouvir o retorno dos leitores, mas é ver este retorno em forma de mudanças de atitude a partir do que leram e absorveram do livro. É que no meio de olhares críticos, bolas vermelhas, pontos de interrogação de ponta-cabeça, perguntas idiotas e respostas divertidas, e mais todos os outros temas, singelezas e causos,que conduzem o leitor pelas páginas, existem dicas e propostas, diferentes pra cada um que abre o livro... E existem também pequenas histórias que acabam virando dicas também e ajudando, de forma mais contundente, pessoas que nem sequer tocaram no livro... Conheci outro dia a história de um motorista particular necessitando de um aparelho auditivo mas, com poucos recursos, não tinha condições de bancar a manutenção do aparelho que ganhou de presente do ex patrão; e foi por meio de uma crônica do filhote “Quando Botei a Boca no Mundo” que o ex patrão descobriu e foi atrás de um outro recurso tecnológico, e barato, que deixou o motorista ouvindo e sorrindo de aparelho a aparelho! Histórias como esta e saber que pessoas têm aliviado suas dores, têm ressignificado fatos e momentos, têm compartilhado o livro e proposto dinâmicas com ele em seus grupos, são os maiores presentes que uma mãe pode receber de seu filho.

Aproveito aqui pra agradecer mais uma vez a todos que, voluntária ou involuntariamente, contribuíram em mais este projeto, a todos os leitores do livro e do blog, e convido aos ainda não leitores a conhecerem o livro,um filho feito com muito amor pra vocês. E aviso aos navegantes, principalmente àqueles mais malcriados e fãs das respostas malcriadas que dou no texto “Pergunta Idiota, Tolerância em Exercício”, que já tô colecionando um bom material pro próximo livro, porque gente desinformada e sem noção por aí capaz de me fornecer oportunidades de muitas risadas e respostas malcriadas é o que não falta... E só pra vocês não ficarem com muita água na boca até o próximo livro sair, já dou uma previazinha no próximo texto aqui do Boca. Fiquem de olho!

Pra conhecer e adquirir o livro “Quando Botei a Boca no Mundo”, em versão impressa ou digital e acessível, é só clicar aqui: http://www.facebook.com/sarabentesoficial/app_206803572685797

Pra ler a sinopse de “Quando Botei a Boca no Mundo” é só clicar aqui: http://www.sarabentes.com.br/page/portfolio/boca-no-mundo/ 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Teatro Cego, os segredinhos que ninguém vê...



Eu já estava com saudades, e os admiradores do Teatro Cego também, e esta semana já podemos nos alegrar porque o retorno em 2014 acontece no próximo domingo, dia 26 de Janeiro, no Centro Cultural do Banco do Brasil em Brasília! Depois de um ano e meio de sucesso na cidade de São Paulo e no interior, é a primeira vez que o Teatro Cego se apresenta fora do estado, e em breve muitos outros territórios também serão conquistados pelo nosso modelo novo de teatro no escuro total. Sim, uma peça teatral completamente no escuro! Só quem já foi assistir sabe muito bem o que acontece com as emoções e percepções, sabe do que é transformado e mexido por dentro durante uma hora na ausência de visão enquanto os outros sentidos e percepções são estimulados, sabe o que acontece na trama “O Grande Viúvo”, de Nelson Rodrigues. Mas tem algumas outras coisinhas sobre o Teatro Cego que, mesmo quem já foi, ainda não sabe... E outras que nem nunca vai saber... Por exemplo: como produzimos os aromas durante a peça, como manipulamos as condições meteorológicas do local, como nós, atores, nos locomovemos no cenário escuro sem bengalas, quem é o sétimo ator misterioso que faz o papel da defunta... Bom, pra descobrir tudo isso, só indo assistir à peça e, ao final, vindo perguntar com muito jeitinho pro elenco, aí a gente conta tudo. 

Já tem outras coisinhas que acontecem ali no escuro que nem mesmo o elenco sabe que vão acontecer, e que o público nem imagina... E, eu garanto, no Teatro Cego tudo pode acontecer: como um ator, do time dos que enxergam, que vai por engano para o lado errado e é resgatado por um ator cego; um ator que se empolga numa cena de nervosismo e acaba derrubando uma colherinha da mesa no chão, e aí uma atriz, ao mesmo tempo em que dá sua fala, vai buscando a colherinha com o tato dos pés e a recolhe do chão para evitar escorregões ou outros acidentes; uma atriz que segura um grande espirro durante a cena do enterro, até que não pode mais e sua cabeça é jogada para frente no impulso do “atchim!”, exatamente no mesmo instante em que o ator da frente, ajoelhado à beira da cova, se ergue do chão; um ator que dá uma crise de labirintite no meio da peça e cata cavaco na escada, no lugar de ir para o quarto vai para o cemitério, completamente perdido; uma freqüente sessão de piadas que rola entre os atores antes do início da peça, enquanto vocês estão sendo conduzidos a seus lugares na platéia, piadas estas muito úteis a uma das atrizes, que precisa dar boas gargalhadas num de seus papeis; um ator que cochila no alto da escada durante toda uma cena em que não atua; enfim, é tanto pastelão no escuro que eu ficaria aqui a semana toda contando, sem contar os que certamente ainda vão acontecer. Então no fim do ano eu volto pra contar os próximos, mesmo porque este ano teremos peça nova, sempre no escuro, e aí serão segredinhos novos pra contar. E já sabem: se alguém perguntar quem contou os segredinhos do Teatro Cego, vocês não viram nada... 

Curta o Teatro Cego no Facebook: http://www.facebook.com/teatrocego

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Quem pode ser você?


Pois é, queridos, demorei mas voltei a por a boca no mundo... Desde agosto passado não passo por aqui pra contar boas novas, porque andei trabalhando muito de cá pra lá, de lá pra cá, tanto que no fim, quando eu entrava num ônibus de viagem ou avião, eu já não sabia nem mais pra onde estava indo... E acaba que hoje volto aqui complementando, e trazendo resultados, das últimas notícias que deixei aqui em agosto. Contei que passamos um dia cheio de dança, cores e luz com a galera da República do Movimento, em Volta Redonda, gravando meu primeiro clipe oficial. Mas a verdade foi que aproveitamos o dia até o último minuto e gravamos não um, mas dois clipes! E o segundo, gravado a partir do anoitecer, é o que venho trazer, neste início de ano radiante, pra vocês. 
A música, “Quem Pode”, nasceu num início de ano como hoje, aliás, ela está completando um ano agora, e em seu aniversário ganha um clipe, nosso primeiro oficial. A música, que quem tem o CD Em Frente Ao Planeta conhece bem, nasceu quando já estávamos na fase de mixagem do disco, e não estava nos planos da produção e nem do orçamento. Mas ela nasceu com tanta força que correu, correu, se pendurou na porta já quase fechada do bonde, foi gravada inteira numa tarde e entrou, virando a queridinha entre a maioria dos apreciadores do CD. E a mesma força também tiveram todos os cidadãos da República do Movimento e minha família linda, uma galera que, depois de um dia inteiro de dança e gravação, ficou firme até o fim com disposição, emprestando sorrisos, olhares, carisma, mãos para os efeitos especiais aquáticos e criatividade para os improvisos que o público nunca vai saber, emprestando a sala de ballet transformada num estúdio de vídeo. Deixo aqui um obrigada do tamanho do mundo à República do Movimento, à Delinearte, ao Estúdio de Culinária, ao Jhonatan Cruz, a todos que participaram, em especial aos pais das crianças, aos meus familiares e ao casal Lissi e Rafa, junto da gente até o último segundo. O trabalho de todos nós juntos é que fez colorir e eternizar mensagens, perguntas e uma só resposta, uma resposta única pra cada um de nós. Descobre a sua: http://www.youtube.com/watch?v=SjC6UqRr9BY&feature=youtu.be

Confere aqui os créditos do clipe:
fotografia, direção e edição – Sérgio Cruz
Assistente de fotografia e direção– Aline Bentes
Colaboração – Carol Bentes, Jhonatan Cruz, LissianaSchlick e Rafael Mendes

Elenco:
Cidadãos da República do Movimento - Anderson Cruz, Bernardo Solano, Bianca Cândido (Bibi), Gaby Rocha, Iara Oliveira, Isa Antunes, Jhonatan Cruz, João Vítor (Joãozin), Johnny Lamim, Keyth Cavalcanti, LissianaSchlick, Lucas Lopes Franco, Lyvia Paula, MarcellePessanha, Nicholas Lopes (Kitito), Rafael Mendes, Rebeca Lopes, Sara Bentes, Vinícius Gonçalves Gil.
Crianças - João Marcos Castelo, Julia Castelo, Larissa Barbosa, Léo Barbosa.
Apoio – República do Movimento, Delinearte e Estúdio de Culinária

Curte nossa página no facebook: www.facebook.com/sarabentesoficial
Conhece o CD Em Frente Ao Planeta: http://www.youtube.com/watch?v=hoCnR65PnPI

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Pra Te Ver Dançar



Foto: Ensaio


Quando decidi estudar ballet clássico, desejando que esta modalidade me desse mais embasamento técnico para dançar qualquer outra dança, logo vieram as perguntas: Por onde começar? Quantos “nãos” vou ouvir até encontrar alguém com experiência em ensinar ballet para uma pessoa que não enxerga? Na minha cidade nunca ouvi falar em algum trabalho de ballet clássico especializado para este público. Bom, por alguma escola de dança eu deveria começar, e comecei, pelo melhor lugar por onde eu poderia ter começado. Já no primeiro telefonema, fui muito bem recebida pela professora Lissiana Schlick e conheci sua disposição e o tamanho de seu coração. Após pegar todas as informações quanto a horários, turmas e valores, expliquei a ela minha situação. Ela só precisou de 3 segundos de silêncio para respirar e então me dizer que achava que seria um desafio, pra mim e pra ela, mas que se eu quisesse encarar, ela também queria, e completou: “Você me ensina a te ensinar”. E desde então, há pouco mais de ano e meio, eu e Lissiana, que, ao lado do maridão Rafael Mendes, é também dona da escola de dança República do Movimento, fomos aprendendo juntas, e na prática, outros meios de me fazer “enxergar” os movimentos, e ela não mede esforços para me fazer compreender alguma postura ou passo mais complexo e para me integrar na dança e no grupo. Além disso ela não deixa barato, me cobra igual, é exigente comigo assim como é com todos os alunos. Do ballet fui parar também na aula de tango, ministrada pelo Rafa. E o amor por aquela escola cheia de energia boa foi crescendo, a amizade e as parcerias com a Lissi e com o Rafa foram se aprofundando, e no fim deste mês de agosto gravamos um vídeo-clipe com a República do Movimento! A música se chama “Pra te Ver Dançar”, é do meu próximo CD e é de minha autoria. O vídeo envolveu 18 dançarinos, entre alunos e professores da escola, tem coreografias da Lissiana e da Marcelle Pessanha, professora de hiphop, tem câmera e edição do Sérgio Cruz e assistência das primonas Aline e Carol Bentes, e teve também o apoio da maquiadora Taís Nogueira - https://www.facebook.com/DelArteMake, do Jhonatan Cruz, da Elenita Magalhães e do Evaldo Abineder – estudiodeculinaria.blogspot.com. Foi um grande trabalho em equipe, que incluiu horas e horas de ensaios, sempre à noite após as aulas na República, muitas reuniões decidindo coisas, como figurino, cenário e outros detalhes essenciais, e um domingão inteiro de gravações, um dia inesquecível de muita luz, muito suor e alegria, ao lado de uma galera cheia de disposição e energia mais que positiva, como todos os que são atraídos pelo magnetismo acolhedor da República do Movimento. Todas as palavras que eu possa ter não me parecem suficientes para agradecer toda a dedicação e o carinho de cada um dos envolvidos nessa realização, então, por enquanto, o que posso é dizer publicamente, e com muito amor, é: OBRIGADA! Amo todos vocês e em breve nosso vídeo estará pronto, pra divulgarmos em nossas redes sociais e jogarmos nosso trabalho para os quatro cantos do mundo.

Conheça a República do Movimento em:
http://www.republicadomovimento.com.br/2011/index.php/en/

terça-feira, 23 de julho de 2013

Minha Casa Temporária





                Lugares podem ser muito legais. Construções, arquiteturas, espaços, combinações de tetos, paredes, colunas, móveis, com luxo ou sem luxo, decorados em grande estilo ou com simplicidade, amplos ou pequenos, lugares são sempre lugares, e seriam corpos sem alma se não tivesse neles pessoas, de preferência maravilhosas, como são as pessoas do Hotel Address Cidade Jardim, que é parceiro do Teatro Cego e tem sido minha segunda casa durante esta nossa temporada no Tucarena, em São Paulo. Soube que no início eu pareci um desafio para os funcionários do hotel:“Mas ela vem sozinha? Nós não temos completa acessibilidade. Como vamos fazer com ela?” Acontece que tudo fica mais fácil quando existe o bom humor e a disposição, de todas as partes, de ensinar e aprender, e de superar a falta de acessibilidade com a vontade de ajudar e de dar autonomia de outras formas, coisas que só são possíveis entre pessoas bem preparadas e queridas, como são a Sofia, o Júnior, o Rafael, o Jair, o Hugo, o Cezar, o Renato, o Barreto, o Flávio, o Darley, o Josias, o Antônio, a Evanir, e todos os outros que ainda não consegui memorizar o nome e a voz, mas de cujas ajudas e conversas jamais vou esquecer. Desde o primeiro dia eles se interessam em perguntar, coisas que para muitos pareceria bobagem ou algo óbvio, como, por exemplo, de que jeito uso o computador ou como vou encontrar os números no teclado do telefone do hotel. Mas as perguntas fazem parte da preocupação em se informar e entender a realidade do outro, e, assim, poder cuidar para que o outro esteja sempre bem. E desse jeito é a galera do Address Cidade Jardim, cuidadosa e atenciosa, incluindo, é claro, o pessoal do restaurante, que já no terceiro dia sabia exatamente o que eu gostava no café da manhã, e já começava a preparar somente ao me ver saindo do elevador, sempre acompanhada de algum gentil funcionário.

                Bom, queridos do Address Cidade Jardim, e todos os que tornaram possível esta parceria, não me canso de elogiá-los, de recomendar o hotel pra quem quer que seja e de agradecer. A todos vocês, meu muuuuito obrigada e meus votos de sucesso e felicidades sempre!




Hotel Address: http://www.addressexecutive.com.br/

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Sorria, você está sendo observado.





Aconteceu comigo numa segunda-feira fria e desanimada. Aconteceu o que pode acontecer todos os dias, com qualquer um, mesmo sem a gente saber. Aconteceu algo tão simples, e tão fundamental, que vem nos lembrar o que já sabemos: não vivemos somente pra nós, tudo é um, e não há nada que façamos ou pensemos que afete somente a nós mesmos. Como falei, a segunda-feira era fria e desanimada, e tudo parecia conspirar pra que eu não fosse à aula de tango que tenho feito nas segundas à noite: o cansaço de uma viagenzinha de 5 horas voltando de São Paulo naquela manhã, a falta de companhia pra ir até a escola de dança, a falta de grana pra tomar um taxi. Mas, como sempre, metade de mim dizia “Dê um jeito e vá!”, e essa metade foi bem maior que a outra, se é que isso é possível. Me movimentei, pedi dinheiro emprestado até na escola de dança (o que no fim das contas nem foi necessário porque minha família chegou em casa no minuto em que eu saía e me fez o empréstimo) e fui, sorrindo feliz por ter vencido o impulso forte de não ir. Terminada a aula, sempre prazerosa e animadora, um rapaz me abordou cheio de dedos, tímido, tropeçando nas palavras, pra dizer que enfim vencera a timidez pra vir me falar o que queria me falar desde o primeiro dia de aula, quase 2 meses antes: que eu, simplesmente por estar ali, sempre sorrindo, era sua motivação pra voltar a cada aula. Ele tinha problemas que considerava muito pesados; e ver alguém, segundo ele, com um problema mais pesado ainda, dançando e sorrindo, talvez o tenha feito sentir-se mais leve. É uma matemática estranha medir e comparar problemas, mas é um direito de escolha de cada um ver seus problemas do tamanho, da cor e do peso que bem entenderem. E se podemos ajudar com um simples sorriso, que bom. Não imaginamos o tamanho do impacto que nossas atitudes, nossas palavras, nossos sorrisos e olhares podem causar sobre as outras pessoas, sobre os outros seres vivos, sobre o mundo à nossa volta. Fazemos sempre a diferença, positiva ou negativa, indo ou não indo, liderando ou seguindo, falando ou omitindo, chorando ou sorrindo; a responsabilidade é a cada segundo e seguimos conectados a tudo e a todos, percebendo isto ou não. Viagens filosóficas demais? Pode ser. Na dúvida, melhor seguir sorrindo.



Aproveitando, convido vocês a ouvirem uma música que nunca tinha pintado aqui pelo Boca. Ela se chama “Quem Pode” e nasceu em janeiro deste ano, e eu não via a hora de compartilhar com vocês! Então chegou a hora, ouçam e compartilhem em: www.snd.sc/12rOJre