sexta-feira, 29 de abril de 2011

Pós Reatech


No centro do palco da Reatech, Sara canta e Fabiano Campos acompanha em LIBRAS
Pessoal! Passo rapidinho aqui para fazer um carinhoso agradecimento a todos os amigos e fãs que foram me ver na Reatech! Conheci pessoas maravilhosas, reencontrei amigos antigos, estive com alguns dos meus menestréis queridos, cantei não sei quantas vezes em não sei quantas palestras e palcos, andei muito, e até de bicicleta!


No meio dos estandes da Reatech, Diego Bruno e Sara Bentes se divertem em uma bicicleta branca de dois lugares


Certamente, depois dos 4 dias intensos de feira, novidades, trocas, ricos encontros, reencontros e conversas, sou hoje uma pessoa mais plena.


O hino nacional, que contei a vocês que cantaria, com a boca e com as mãos, cantei, com a boca e com as mãos. Foi uma experiência tão forte que quero mais! E agora, quando canto só com a boca, minhas mãos não querem mais ficar caladas... A apresentação do hino foi filmada, mas ainda não está pronta pra pintar aqui no Boca. Mas, como pra mim promessa é dívida, podem esperar que o vídeo já já chega aqui! ;)

A foto mostra várias pessoas reunidas em frente ao estande de Sara, onde se podem ver camisetas coloridas expostas e quadros com seus desenhos; e um cartaz com foto de Sara sorrindo, com o braço levantado e olhando para cima


O estande também foi um sucesso! E agradeço a todos que contribuíram pra que isso acontecesse, ou seja, a cada um de vocês que passou por lá, aos organizadores da feira, a Suely Carvalho e a minhas ajudantes mais que especiais: minha querida prima Magali Feliciano e minha mãessessora Elenita Magalhães, pela disposição de sempre, pelo capricho, carinho e cuidados. Um beijo a todos, bem vindos novos amigos nascidos da Reatech e até a próxima!


OBS: Voltarredondenses, nada de quadradice amanhã, sábado não é dia de ficar em casa e espero vocês no sarau de lançamento do livro! :) Às 18h, na livraria Veredas do Pontual Shopping, Sarau de lançamento do livro Fotografias Poéticas de um Olhar Viajante. Até lá!



sexta-feira, 22 de abril de 2011

Tocando Helena

Acione o vídeo abaixo e ouça-o enquanto lê a história a seguir. De preferência, use um fone de ouvido, deixe a música te envolver, entregue-se às palavras e aproveite; boa viagem! :)

(Para os colegas de apagão, a imagem que aparece no vídeo, enquanto a música rola, é a capa de um CD intitulado Alien, do compositor Giovanni Allevi, que mostra uma foto dele, de óculos, cabelos bem cacheados e escuros, a mão direita sobre o ombro esquerdo e de seus dedos saem teclas de piano, como se cada um deles estivesse se transformando em uma tecla.)



Existe um pianista, na Itália, chamado Giovanni Allevi. Quem será? Ele é também um grande compositor e maestro de orquestra. Com suas composições, sempre sensíveis e expressivas, ele consegue aproximar a música instrumental dos mais diversos públicos. Em seus concertos, sempre lotados, encontram-se crianças, jovens, adultos de todas as idades, tribos de todos os tipos.


Um dia, Giovanni recebeu uma carta de uma pianista, também italiana. Ela se chamava Helena e estava muito triste, lamentava com ele que havia perdido todo o movimento da mão esquerda. E, não se sentindo mais capaz de tocar, afastara-se completamente do piano. Ele ficou tocado, afinal era um pianista como ela, e não pôde deixar de se imaginar na mesma situação. Como seria estar de frente ao piano sem poder fazer uso de sua mão esquerda, a responsável pela metade, pela base, pelo chão de qualquer música executada naquele instrumento? E foi exatamente o que ele fez: sentou-se ao piano, ignorou a existência de sua mão esquerda e deixou apenas a direita sobre o teclado. Nesse momento nasceu Helen, uma nova composição, exatamente a música que vocês estão ouvindo agora, executada inteira somente pela mão direita de Giovanni.


O compositor incluiu a nova música no seu mais recente disco, Alien, e não só dedicou-a a sua colega de profissão, Helena, como também presenteou-a com a partitura da obra na noite de lançamento do álbum. Encantada com a surpresa, ela passou aquela noite inteira com seu piano, estudando a partitura para mão direita. E lá Helena ficou, até aprender a nova música e fazer as pazes com seu instrumento.


Essa história me tocou, e com as duas mãos... Experimentar e compreender o mundo do outro pode render grandes frutos, pra nós mesmos, pro outro, pro mundo. Quem nunca perdeu algo importante? Aquilo que perdemos e não volta mais faz falta, e aquilo que ficou é o nosso tudo agora, e é sempre o suficiente para tocarmos, da maneira mais linda, nossa vida, seja com a mão direita, com o pé esquerdo, com um olho, com meio ouvido, com o nariz. Parar, ouvir, trocar; experimentar, ressignificar, tocar (em frente)... A vida é feita de troca. Deixemos que ela nos toque com todos os dedos, e lhe devolvamos nossa melhor melodia.


Que nesta Páscoa, bem como em todos os outros dias do ano, nós nos lembremos do valor de trocar, de renovar, de ressignificar. Muita luz e alegria a todos!!


Para ver Giovanni Allevi executando ao vivo sua meditação para mão direita, clique aqui!


terça-feira, 19 de abril de 2011

Primeiro Filho

Capa do livro. No alto, em letras amarelas, o título 'Fotografias poéticas de um olhar viajante', sobre um céu azul; A imagem de fundo da capa é uma junção de várias fotos de diferentes paisagens, como cachoeira, geleira, praia, vulcão nevado, árvores; voando sobre a cachoeira, um parapente com duas pessoas, cujo tamanho da imagem não permite que se identifique quem são, e, no alto à direita, sobreposta a um pedaço de floresta, a imagem de uma câmera sobre um tripé. Na parte de baixo, com letras brancas, o nome da autora.
Nasceu! Pessoal, nasceu meu primeiro filho literário! Produção independente, filho de mãe solteira, mas muito desejado e preparado com imenso amor para o mundo. Fotografias Poéticas de um Olhar Viajante já é um sonho antigo, e que reúne 40 poemas nascidos na última década. E eu venho convidar os amigos de Volta Redonda e redondezas para o lançamento oficial da obra, que será dia 30 de Abril, sábado, a partir das 18 h, na livraria Veredas do Pontual Shopping, na Vila. Vão, levem seus amigos e familiares, mas não vão esperando uma noite comportada de autógrafos... o evento será um sarau aberto, com música, declamações, leituras, performances e o que mais o espaço der conta de abraçar. Então preparem-se para participar!
Amigos do Rio de Janeiro, me aguardem! Pois nossa vez chegará em breve... Amigos do restante do país, após os lançamentos, o livro poderá ser comprado pela internet, pelo link que ainda divulgarei...
Leiam abaixo a breve apresentação do livro. E, mais abaixo, um dos poemas mais queridinhos do livro, que é também, especialmente hoje, 19 de Abril, dia comemorado em todo o território americano, uma homenagem a todas as comunidades indígenas, seus descendentes e ascendentes. Que Deus abençoe e ilumine a mente de todos os índios do nosso continente. Viva, Viva!

Apresentação - Fotografias Poéticas de um Olhar Viajante:


Pela música, por todas as artes, pela saúde, por amor, por tantos ideais; desde muito, mas muito cedo a vida me convida a viajar, viajar e viajar... E como me faz feliz essa rotina quase cigana, esse caminho de intensas descobertas e novidades! Seja para outro país, seja para a capital do estado, seja de ônibus, trem, avião, barco, ou embarcada num pensamento, numa idéia, numa emoção, numa música, numa fantasia, no desejo, enfim, de conhecer, sentir, crescer, viver! E, tão abrangente quanto a palavra “viagem” cá neste nosso contexto, apresenta-se o “olhar” não só como o canal da observação visual, mas como a nossa janela maior para o mundo; o olhar aqui são todos os sentidos, todas as relações, impressões, interpretações, possibilidades. E, desses tantos modos de viagem que fiz, muito em mim foi despertado, muito de mim foi descoberto, assim como das riquezas da natureza, do mundo, do ser humano, principalmente daqueles que dividiram comigo tais experiências, e as engrandeceram e lhes deram todo o sentido. E são tais descobertas e riquezas, de tantas naturezas, que te convido a conhecer e reviver comigo! Sim, reviver, e não só observar; aquele olhar contemplativo, que, pelo vidro do ônibus, do carro, do medo, saboreava de longe o que meus olhos fracos alcançavam, assistia à dança da vida, presenciava tudo evoluindo ao sol, via a poesia, hoje é só a lembrança da minha infância. Aliás, ele ainda existe, mas a contemplação passou a ser simplesmente o prefácio da participação; e a criança que se encanta com tudo o que é novo, hoje crescida, porém sempre encantada, aprendeu a não se contentar com apenas ver, e sim viver a poesia!


Tendo como guia minhas palavras simples, o que encontrarás nessa nossa viagem livre do tempo e do espaço, transcendendo o presente, são antigos diários de bordo, originalmente quase sempre gravados em áudio, além de poesias narrativas ou simples divagações, versos posteriormente musicados, manifestações de meu amor por alguém, por algum lugar, pela vida, agora tudo enquadrado em fotografias de sensações, desejos, paixões, lembranças, devaneios, acontecimentos, descobertas, saudades de outro país e muito amor pelo Brasil; fotografias estas todas impressas aqui, impressas em mim e a partir de já em ti, meu novo e fiel companheiro de viagens.


Surpresa no lago Titicaca

Um barco frio, um vento hostil...
Sem jamais supor o que ali se viu,
eu ia...
só mais um passeio, anseios vencidos,
pelo cansaço, pela saudade talvez...
nem sei...
Nada esperava daquele lago de altitude.
E naquela ilha perdida ele me esperava...
Surpresa...
sofrida beleza das vidas peruanas.
A ilha flutua e sustenta cabanas.
Caramba,
Totora é o piso, a parede, o colchão.
E a gente só pula e se joga no chão,
macio.
A arte é a vida e a venda do povo;
de novo a pobreza. Ou a simplicidade?
Verdade,
tudo ali flutua, o chão balança.
Crianças que correm; são sempre crianças...
Me chamam.
Provo então a raiz que a família divide.
Nem sei por que a mãe índia me quis...
Destino?
Trazem a tesoura e o pequeno menino.
Nem sei por que ainda não tinha padrinhos
el niño,
menor que o tamanho que propõe sua idade.
E todos se ajuntam pra ver. Eu estranho...
Batismo,
sentadinho no chão coberto da palha.
Os negros cabelos me escorrem nas mãos.
Eu corto,
atendo o ritual, e choro por dentro.
Vento de magia; eternidade flutuante.
O reveria?
E, sem uma palavra, recebia a madrinha,
igual serenidade que deixava seus fios;
na cuia
ficavam as mechas e o meu coração.
Quatro aninhos de vida; e quantos outros de espera
por mim?
Então me despeço num abraço sem fim:
-No te olvidaré jamás! a alisar-lhe os cabelos
pequenos.
E ele me olhava sem voz, mas olhos de música,
com o doce da flauta de seu povo, que observava.
Partida.
Do barco ouço a despedida da nova comadre,
me acena contente da beira da palha.
Pequena,
de grandes lembranças e amor essa ilha!
Flutuante em meus olhos parados, uma dor,
tristeza,
de pensar na incerteza de vê-lo outra vez.
Dizia incerto o balanço do barco: talvez,
talvez...



Lançamento do livro "Fotografias Poéticas de Um Olhar Viajante"
Data: 30 de abril de 2011
Horário: 18h.
Local: Livraria Veredas - Pontual Shopping
Rua 14, 305, 2° piso, Vila Santa Cecília. Volta Redonda -RJ
Tels.(24)3342-1977 / 3348-3131

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Surpresas na Reatech

Sara cantando no palco da Reatech

Queridos e queridas, familiares e amigos, colegas de apagão e colegas de deficiência nenhuma (aparente... ;) Pra não quebrar a tradição, este é mais um Abril em que canto na Reatech, a maior feira de reabilitação, acessibilidade, inclusão e tantos outros assuntos referentes à pessoa com deficiência. Tem 4 anos que eu e a tchurminha da Vez da Voz colorimos o palco da feira com música, dança e Libras, eu cantando, Aline Favaro, minha bailarina preferida, dançando e a Rafaela Sessenta ou o Fabiano Campos, os intérpretes da Vez, interpretando na Língua Brasileira de Sinais. Este ano canto de novo, mas desta vez tem mais... :)


Além de me apresentar no palco da Reatech, canto na abertura de um dos seminários que acontecem dentro da feira, o V Seminedi – Seminário Internacional de Educação Inclusiva. Cantarei uma de minhas músicas e o nosso Hino Nacional, sendo que o hino cantarei em duas línguas... Hein? Como assim?!! É isso mesmo: cantarei com a boca e com as mãos, em português e em libras! Pois é, a tarefa não é fácil não... mas decidi encarar o desafio, proposto pela minha querida amiga e reabilitadora Suely Carvalho, e a verdade é que estou amando a experiência! Desde já, agradeço com todo o coração a meu amigo e teacher Fabiano Campos, que, se Deus quiser, estará lá apoiando sua pupila!


E, pra quem acha a tarefa de cantar nas duas línguas ao mesmo tempo uma façanha impossível, olha aí a nossa Zélia Duncan fazendo isso:



Arrebentou, querida Zélia! Tomara que a moda pegue!


Bom, para assistir à minha versão do hino nacional brasileiro, à capela e cantado com a boca e com as mãos, e participar do seminário, que estará recheado de riquíssimas palestras e discussões, é só escrever para o e-mail: pacin@pacin.com.br e solicitar à Leila informações para se inscrever.


Mas, ainda não terminou... a outra novidade deste ano é que estarei esperando vocês, nos 4 dias de feira, de quinta a sábado, no estande Sara Bentes, localizado na Galeria de Artes, na rua 800, estande A36. Além de CDs, camisetas, vídeos, outras surpresinhas estarão esperando por vocês! :) Pessoal que vive me perguntando por CD com minhas músicas, a hora é agora, aproveitem pois a edição é limitada! Espero vocês lá!


A Reatech acontece de quinta a domingo, 14 a 17 de Abril; quinta e sexta das 13:00h às 21:00h e sábado e domingo das 10:00h às 19:00h, no Centro de Exposições Imigrantes, Jabaquara, São Paulo – SP. Saiba mais em: http://www.reatech.tmp.br/

Para saber mais sobre o Seminedi, visite: http://www.pacin.com.br/_scripts/seminario212.asp
Informações e inscrições pelo e-mail: pacin@pacin.com.br

Abertura do Seminedi com hino nacional em português e em libras: quinta-feira, dia 14, a partir das 8:00h.

Minha apresentação no palco da feira: sábado, dia 16, a partir das 14:40h.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

UMA MENTIRA QUE DEU CERTO!

Sara Bentes - Versão 2.9 Versão lançada em 01 de Abril de 2011. Atualizações: automáticas e diárias, de acordo com cada nova experiência! Memória: muito boa para acontecimentos positivos, e com capacidade progressiva de armazenamento. Resolução de imagem: imagem? Ela ainda não resolveu aparecer, mas o programa bem resolvido se resolve muito bem com sua alta resolução de som, de ideias, de recursos alternativos. Roda muito bem em: uma boa roda de samba! modo de instalação no seu sistema operacional: leia um poema, ouça uma música, veja um desenho, abra seu coração para qualquer obra minha e eu já me instalei! totalmente incompatível com: tudo que não for honesto, sincero, sentido, verdadeiro, amoroso! (em caso de tentativa de operações de originalidade duvidosa, a nova versão do programa desprogramado, não exato e sem manual de instruções, imediatamente acusa a pirataria e automaticamente se desinstala dos falsos corações). Vantagens: muitas! Mas para receber as novidades e atualizações diárias é preciso uma boa conexão ... comigo! Fonte de energia: enquanto houver comida, o corpo sobreviverá; enquanto houver arte, a alma também; e enquanto houver o carinho dos amigos, viverei muito bem! Hoje é meu dia e aproveito para agradecer a todos vocês, amigos, leitores e freqüentadores do Boca, por se fazerem presentes e por serem pra mim este presente! Obrigada a Deus e a todo o universo, por mais um ano de oportunidades, por este dia, por esta vida! Beijos (mais maduros) a todos!


Na foto, Pinóquio, um boneco de madeira, encosta a ponta do longo nariz no nariz da sorridente Sara, uma menina de verdade, que veste casaco e gorro preto.

sábado, 19 de março de 2011

Campanha do Apagão

Outra noite eu tomava banho na casa de uma amiga e sua mãe gritou da porta: “Menina! Ta tomando banho no escuro?” Minha amiga deu uma boa risada. “Mãe, esqueceu que ela não precisa de luz?” ela falou. Ali eu me dei conta do favor que tenho feito ao planeta economizando, há quase um ano, uma boa quantidade de energia elétrica! Às vezes, ao entrar em um cômodo, meu corpo ainda sente o impulso de erguer o braço e acender a luz, mas logo me lembro de que sou uma pessoa com... “independência visual”, e não preciso da luz elétrica. Uma amiga minha, cega há 20 anos, até hoje mantém o hábito de acender a luz em todo cômodo que entra à noite, e ainda consegue se lembrar de apagar quando sai. Era só o que me faltava: uma cega com medo do escuro. Pra quê, minha gente, se podemos economizar energia e contribuir com o meio ambiente? Ela diz que prefere evitar o susto das pessoas de entrar em casa e encontrar alguém no escuro. Assim como nós nos acostumamos com os sustinhos de esbarrar com alguém no silêncio, as pessoas se acostumam a nos encontrar no escuro.

Hoje são muitas as idéias e os projetos sendo desenvolvidos para tentarmos reverter, ou simplesmente amenizar, os estragos que nós mesmos provocamos em nosso planeta. E, em se tratando de fontes alternativas de energia, são cada vez mais impressionantes e inovadoras as técnicas de captação. Depois da energia solar, da eólica, da energia captada dos pulos dos jovens através do pavimento de danceterias, da energia aproveitada de gases dos dejetos de animais, agora até as fezes humanas são transformadas em eletricidade. É isso aí, pessoal, o número 2 pode acender as luzes das nossas casas. É tudo uma questão de engenharia e, claro, de investimento. Enquanto ainda não temos meios de aproveitar em nosso dia a dia todos os tipos de energia que nós mesmos produzimos, simples mudanças de hábitos e a criação de novos já ajudam na preservação da nossa casa Terra. E eu estou aqui hoje propondo um novo hábito a vocês e lançando a Campanha do Apagão. Não, não é aquele apagão de todas as luzes da casa durante 10 minutos marcado pela Internet em várias partes do mundo, como aconteceu em Abril do ano passado e que, aliás, é muito legal. Mas a idéia aqui é outra: façam mais coisas no escuro, acendam menos as luzes da casa quando estiverem sozinhos, conversem no escuro e vejam como ouvirão melhor a voz do outro, suas nuances mais sensíveis, sua essência e o que realmente ela quer dizer, cantem no escuro e sintam a vibração da própria voz, tomem banho no escuro e exercitem o tato, realizem tarefas automáticas no escuro, como lavar a louça, trocar de roupa, dobrar as cobertas, andem pela casa de olhos fechados e trabalhem a noção espacial, bem como a calma e a perseverança, ponham vendas para namorar, privando-se até mesmo da penumbra do quarto, e percebam muito mais intensamente o outro. No início só não recomendo que se experimente cozinhar ou realizar outras tarefas que ofereçam alto risco de ferimento.

Alguns amigos e familiares, desde o meu “apagão”, espontaneamente passaram a experimentar fazer coisas em casa na completa ausência de luz, só para sentir na pele como seria a minha percepção. Estes são, sem sombra de dúvida, os que se tornam mais cúmplices, mais sensíveis às minhas dificuldades e mais familiarizados com as melhores maneiras de ajudar e de interagir, comigo e com qualquer pessoa que não enxerga. Mas não é só isso que eu e eles ganhamos com a experiência; vira e mexe e algum deles vem me contar descobertas incríveis e sentimentos surpreendentes com os quais têm entrado em contato se privando da visão por uns momentos. E ainda, de quebra, eles economizam luz. Já a Campanha do Apagão propõe: economizem luz, realizando tarefas no escuro! É simples, barato, e vocês ainda levam de brinde o aprimoramento dos outros sentidos, a sensibilidade para compreender as dificuldades de outras pessoas, o intenso contato com novos e enriquecedores sentimentos e sensações e uma boa oportunidade de se conhecerem melhor! Puxa, as vantagens parecem boas! Nós ajudamos o planeta e nos tornamos pessoas mais sensíveis. Que bom, porque nos tornando pessoas mais sensíveis ajudaremos cada vez mais o planeta. Afinal, o planeta, aquela bola gigante aparentemente inalcançável em seu todo e, pela televisão, quase um caso perdido, é um pedaço, é um espelho, é cada um de nós. E começa dentro da nossa casa.

Espalhem a campanha por e-mail e venham me contar, aqui mesmo nos comentários dessa postagem, suas experiências com o apagão. Tenho certeza de que vocês terão relatos divertidos e surpreendentes. To esperando vocês!

Pessoal que já vive no apagão como eu, incentivem a campanha entre amigos e familiares!

Sara sorrindo, de olhos fechados, com camiseta verde com a seguinte estampa: Campanha pela salvação do planeta - Faça como eu: economize luz!

domingo, 13 de março de 2011

Siempre Estarás en Mí

Foto em preto e branco mostra Fito Paez tocando um piano em uma pequena sala, com fotos emolduradas na parede, ao fundo.
Eu tinha doze anos. Era hora do almoço, o sol estava forte e eu estava sozinha dentro do micro-ônibus escolar, parado, esperando o restante dos alunos para voltarmos à casa. Foi quando ouvi no rádio do veículo, sintonizado numa rádio jovem da região, uma raridade, uma música que nunca mais ouvi na mesma rádio. E talvez realmente ela nunca mais tenha tocado ali, mas pelo menos uma vez, no momento certo, ela precisou tocar, pra que eu a pudesse ouvir. A letra da música não compreendi bem, falava alguma coisa de mariposa. Reconheci a voz do Caetano, inconfundível, e a outra voz... hum, era uma voz igualmente única e marcante, tinha um sotaquinho simpático e muita personalidade, alma, uma voz que eu nunca tinha ouvido, mas era como se ela sempre tivesse estado em mim.

Nove anos depois, eu estava no teatro El Libertador, em Córdoba, Argentina, cantando a mesma música que falava da mariposa. Mas não uma mariposa qualquer, uma Mariposa (em português, borboleta) Tecknicolor! Eu sabia que seu autor, o cantor e compositor argentino Fito Páez, era muito querido em seu país, o que eu não sabia era que aquelas duas mil e poucas pessoas cantariam em coro comigo aquela música como se fosse um hino, cantado por todas as idades, a alta voz, cada frase e palavra mais que decoradas. Aquela foi, sem dúvida, uma das maiores emoções que já vivi num palco. Não só pela estrondosa surpresa, ou pela beleza da música, que envolve com alegria a todos que a escutam, mas pela forte presença da arte de Fito em minha vida desde o início da adolescência. Sim, fui uma adolescente estranha, que ouvia música argentina enquanto minha turma de escola estava <br />Foto em close de Fito, de perfil, olhos fechados e rosto levemente voltado para cima.ouvindo os maiores sucessos dance; eu pedia pra minha mãe fazer bolo nos 13 de Março e comemorava daqui de longe o aniversário e a vida do meu ídolo argentino; meu pai, nas frustrantes tentativas de me acordar às cinco e meia da manhã pra ir à escola, depois de esgotar seu repertório de argumentos e estímulos, dizia-me que tinha alguém me chamando no portão, um moço magro, de cabelos cacheados, nariz avantajado, e que falava meio enrolado, com um sotaque argentino, e eu acordava sorrindo diante da fantasia. Já se vão 17 anos desde a primeira vez que ouvi aquela mariposa voar, e ainda hoje ela e seu dono me fazem sorrir.

Sempre fui bastante eclética e gostei de ouvir música de todo canto do mundo, e não foi difícil pra mim me abrir a uma música tão diferente da nossa, tão passional e intensa como a de Fito, uma música que nem todo mundo curte de cara. Sua voz, nem sempre comprometida com a afinação e com a polidez, tem algo que muitas vozes por aí com mestrado e doutorado não conseguem conquistar, e, a quem vive na mesma sintonia de amor, de sinceridade e de coragem, encanta, arrebata. Essa voz, que já me trouxe tanta poesia, tanta inspiração, tantos novos sentimentos e sonhos, acompanhou tantos momentos difíceis trazendo consolo, acompanhou tantos momentos felizes trazendo ainda mais combustível, até hoje é capaz de me arrepiar, e soa tão familiar e arraigada que parece a voz de um pai, um pai que me chama de manhã cedo dizendo: “Lá no portão a vida te espera. Vem, vem viver!” E, além de colorir minha vida com sua Mariposa Tecknicolor, seu Circo Beat, sua Euforia e tantos outros grandes trabalhos, ele acabou se tornando sim uma grande referência musical.

A adolescência acabou faz tempo, mas eu sigo sempre na mesma Fitomania, na mesma Fitoterapia sem planta. ;) E hoje, em mais um 13 de Março, no nosso Fito´s Day, deixo aqui minha lembrança, minha homenagem, meu agradecimento a este artista tão importante, com um vídeo humilde em que eu e Rodolfo (meu teclado) estamos tocando e cantando uma versão que escrevi em português, mas bastante fiel à letra original, de uma canção das mais antigas do Fito: Las Cosas Tienen Movimiento, uma canção que, se Deus quiser e o Fito autorizar, estará no meu CD. ;) Minha cinegrafista e cúmplice, minha prima Aline, que também foi arrebatada pela música de Fito assim que a conheceu, apresentada por mim, e desde então foi uma grande companheira de shows, audições caseiras e buscas por mais informações sobre o artista, assina comigo esta homenagem.

Na verdade posso ouvir música árabe, italiana, chinesa, americana, indiana, posso conhecer e acolher em meu coração novos grandes artistas, mas o fato é que, Fito, siempre estarás, siempre estarás en mi! Y en fá, en sol, iluminando minha vida!